Homem que matou a ex-companheira enfrenta novo julgamento por tentativa de feminicídio no Recife

O Fórum Thomaz de Aquino, localizado no bairro de Santo Antônio, no Recife, é palco nesta quarta-feira (3) de um novo julgamento contra Jorge Bezerra da Silva. O réu, que já cumpre uma pena de 29 anos e 8 meses de reclusão pelo assassinato da cabeleireira Priscilla Monnick Laurindo da Silva, ocorrido em janeiro de 2022, responde agora por uma tentativa de feminicídio praticada contra a mesma vítima em abril de 2021. O caso, que causou grande comoção em Pernambuco, expõe a brutalidade de um ciclo de violência que culminou na tragédia definitiva.
Durante a sessão, o clima foi de extrema tensão, com o acusado proferindo novas ameaças contra os familiares da vítima e reiterando sua periculosidade. Testemunhas e representantes do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) relataram que o crime de 2021 ocorreu enquanto Priscilla possuía uma medida protetiva contra o agressor. Na ocasião, o acusado rompeu a tornozeleira eletrônica, invadiu a casa da mãe da vítima e tentou tirar sua vida a facadas, inclusive colocando em risco a filha recém-nascida do casal. A intervenção da irmã de Priscilla foi fundamental para que o criminoso fugisse, evitando o óbito naquele momento.
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A mãe da vítima, Joceane Paulino, que atualmente cuida da neta, relatou o trauma vivido pela família e a necessidade de que o Estado assegure que o réu permaneça afastado da sociedade. O promotor de Justiça Bruno Santacatharina destacou que o comportamento de Jorge, marcado por ameaças constantes mesmo dentro do ambiente judiciário, justifica a gravidade da acusação. Caso seja condenado nesta nova etapa, o réu sofrerá impactos diretos em sua execução penal, incluindo a perda de benefícios como progressão de regime e saídas temporárias, medidas fundamentais para garantir a segurança da família enlutada e da sociedade pernambucana.
O crime de janeiro de 2022, pelo qual o réu já foi condenado, ocorreu na residência do casal, no bairro do Zumbi. Após o feminicídio, Jorge Bezerra permaneceu foragido por oito meses, sendo localizado apenas após investigações policiais intensas. O novo julgamento reflete o esforço das instituições de justiça em punir cada ato criminoso individualmente, garantindo que o histórico de violência contra a mulher não seja ignorado, especialmente em casos de reincidência com a mesma vítima.
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