A presidente de Honduras, Xiomara Castro, afirmou nesta quarta-feira (10) que o país enfrenta um “golpe eleitoral”, responsabilizando diretamente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por interferência na disputa presidencial.
A eleição de 30 de novembro tem sido marcada por uma apuração lenta, falhas no site do conselho eleitoral e denúncias de adulteração de dados, alimentando um ambiente de forte instabilidade política.
Os dois candidatos de direita, Nasry “Tito” Asfura e Salvador Nasralla, aparecem praticamente empatados, com Asfura à frente por cerca de 42 mil votos, segundo os resultados preliminares com 99,4% das urnas apuradas.
Trump declarou apoio explícito a Asfura e condicionou o futuro das relações entre Estados Unidos e Honduras ao resultado das eleições. O mandatário também concedeu perdão ao ex-presidente Juan Orlando Hernández, aliado do candidato e condenado nos EUA por tráfico de drogas.
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Castro reagiu com dureza às movimentações americanas, afirmando que a soberania hondurenha está sob ataque. Para ela, as eleições foram marcadas por “ameaças, manipulação e adulteração dos resultados”. A presidente também destacou que não aceitará ingerências externas no processo democrático do país.
A candidata liberal Rixi Moncada, apoiada por Castro e atualmente em terceiro lugar, foi alvo de ataques do presidente norte-americano, que a classificou como comunista e comparou seu projeto político ao do governo de Nicolás Maduro, na Venezuela.
O clima de tensão aumentou após o procurador-geral de Honduras emitir um mandado de prisão internacional contra Hernández, que segue foragido desde que foi solto nos Estados Unidos.
Castro anunciou que levará o caso a organismos internacionais como ONU, União Europeia, OEA e CELAC, denunciando o que considera uma grave ruptura institucional. Nasralla também contestou o processo e pediu uma recontagem “título por título”.
O conselho eleitoral ainda precisa revisar 14,5% das urnas com inconsistências antes de divulgar o resultado oficial, previsto para até 30 de dezembro, prolongando a incerteza sobre o futuro político do país.






