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Elizângela das Palafitas: A arte de transformar resíduos em crítica social e resistência no Recife

Por Redação Arcoverde Agora
Elizângela das Palafitas: A arte de transformar resíduos em crítica social e resistência no Recife

A sensibilidade artística e a consciência ambiental se unem de forma singular no trabalho de Elizângela Maria do Nascimento, uma criadora pernambucana que ganhou notoriedade como "Elizângela das Palafitas". A partir de materiais descartados coletados nas ruas, a artista dá vida a esculturas, quadros e maquetes detalhadas que não servem apenas como decoração, mas como um poderoso manifesto sobre as condições de habitação e os desafios estruturais enfrentados pelas populações vulneráveis na Região Metropolitana do Recife. Ao transformar o que seria lixo em expressão cultural, ela denuncia a ausência de saneamento básico e a precariedade da moradia nas áreas ribeirinhas.

A trajetória de Elizângela começou há mais de duas décadas, impulsionada pelo hábito de observar o cotidiano do Recife e de Olinda. O que iniciou como uma curiosidade transformou-se em uma missão artística realizada no ateliê improvisado em sua casa, em Moreno. Sua dedicação ao tema e a originalidade técnica a levaram a espaços de prestígio, como o Salão de Arte Sustentável e a reconhecida Fenearte, além de garantir que obras suas, como "Da Lama ao Caos" e "Cabaré de Biu Véia", integrassem o acervo da prestigiada Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj).

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Apesar do reconhecimento artístico, Elizângela enfrenta a dura realidade de muitos artesãos no Brasil: a dificuldade de comercialização e o baixo valor atribuído à produção manual. Para conciliar sua vocação com a necessidade de subsistência, ela atua paralelamente como cuidadora de idosos e faxineira, contando com o apoio fundamental de seu marido, José Osvaldo da Silva. O esforço é imenso, visto que a produção de uma única peça pode levar um mês inteiro de trabalho minucioso, muitas vezes resultando em retornos financeiros que mal cobrem os custos de transporte e participação em feiras locais.

Mesmo diante da desvalorização do mercado e dos desafios financeiros, Elizângela mantém-se resiliente. Para ela, a arte é um refúgio terapêutico que vai além da venda das peças. É uma forma de honrar as memórias de sua família, homenagear figuras como Josué de Castro e Chico Science, e manter viva a voz das comunidades que, muitas vezes, são ignoradas pelas políticas públicas. A artista segue convicta de que sua missão vai além da estética, pois cada material reaproveitado carrega a história de um Recife que precisa ser visto, discutido e transformado.

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