Uma cena inusitada e emblemática marcou o cenário político da cidade de Francisco Alves, no Paraná, revelando as tensões vividas por parlamentares sob investigação. O vereador Devair Porto Santos, popularmente conhecido como "Cutuca", protagonizou uma fuga pública ao ser abordado pela equipe de reportagem da GloboNews. Ao ser questionado sobre as graves acusações de corrupção eleitoral que pesam contra ele e a maioria dos integrantes da Câmara Municipal, o parlamentar limitou-se a dizer "Vou em casa e já volto", montando em sua motocicleta e deixando o local imediatamente, sem oferecer qualquer esclarecimento à população.
O episódio faz parte da série investigativa "O Valor do Voto", que expôs o desmonte da ética legislativa no município, onde sete dos nove vereadores eleitos tiveram seus mandatos cassados pela Justiça Eleitoral. Apesar das sentenças de cassação, os parlamentares seguem ocupando suas cadeiras enquanto aguardam o trâmite de recursos judiciais, uma situação que gera forte indignação na sociedade civil local e levanta questionamentos sobre a celeridade do judiciário frente a crimes que ferem a democracia.
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As investigações conduzidas pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) detalharam um esquema estruturado de cooptação de eleitores por meio da distribuição de vales-combustível. Provas colhidas pela polícia, incluindo notas fiscais e registros digitais, apontam que o grupo político teria distribuído mais de 2.100 litros de gasolina e álcool em um único mês para angariar apoio político na véspera das eleições de 2024. O posto de combustíveis utilizado para a prática ilegal tornou-se o centro de uma teia de corrupção que, segundo o promotor Filipe Rocha e Silva, subverte o propósito das eleições ao trocar o exercício do sufrágio pelo benefício econômico imediato.
O silêncio ou a irritação demonstrada por outros parlamentares ao serem confrontados reflete o esvaziamento das defesas políticas. Enquanto figuras como a vereadora Célia condicionam qualquer fala à presença de advogados, a continuidade dos trabalhos legislativos por políticos condenados em primeira instância levanta um debate urgente sobre a reforma da legislação eleitoral brasileira. O caso de Francisco Alves serve como um alerta para a fragilidade das instituições locais quando o poder econômico substitui o debate de ideias, comprometendo diretamente o desenvolvimento e a integridade da administração pública municipal.






