A União Europeia (UE) determinou a exclusão do Brasil da lista de países autorizados a exportar carne para o bloco a partir de 3 de setembro. A decisão, comunicada no início de maio, não decorre de contaminação direta nos produtos brasileiros, mas da falha do país em apresentar a documentação exigida que comprove o controle rigoroso sobre o uso de substâncias antimicrobianas na criação de animais. A medida levanta discussões sobre as práticas pecuárias nacionais e as crescentes exigências globais em relação à saúde pública e segurança alimentar.
Especialistas do setor agropecuário enxergam a medida como uma manobra protecionista, especialmente em um contexto de tensão comercial após a entrada em vigor do acordo entre a UE e o Mercosul. Contudo, a União Europeia sustenta sua posição na política de "One Health" (Uma só saúde), que defende a integração entre a saúde animal, ambiental e humana. O principal temor do bloco é que a utilização indiscriminada de antibióticos na pecuária promova o surgimento de bactérias resistentes, comprometendo a eficácia de tratamentos médicos vitais para a população humana ao redor do mundo.
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O debate central gira em torno da monensina, substância comumente usada no Brasil para melhorar a digestão e o ganho de peso dos bovinos. Embora a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) autorize o uso de substâncias similares sob protocolos estritos, a falta de transparência e o atraso do Brasil na atualização de seus marcos regulatórios – como a proibição tardia de substâncias como avoparcina e virginiamicina, já vetadas na Europa desde a década de 1990 – colocam o setor em alerta. A questão vai além do resíduo na carne; trata-se do impacto ambiental e biológico que a disseminação dessas bactérias resistentes causa ao atravessar fronteiras através de insumos e dejetos agropecuários.
Enquanto os demais países do Mercosul, como Argentina, Paraguai e Uruguai, mantêm suas autorizações, o Brasil enfrenta o desafio de modernizar sua fiscalização. Médicos infectologistas alertam que o risco real reside na disseminação de genes de resistência, que tornam infecções humanas mais difíceis e caras de tratar. O Ministério da Agricultura brasileiro, ciente dos obstáculos, trabalha na adaptação às normas europeias para evitar que o impacto econômico seja duradouro. A necessidade de rastreabilidade completa e o cumprimento rigoroso dos períodos de carência entre a aplicação de medicamentos e o abate tornaram-se exigências inegociáveis para qualquer nação que pretenda manter a competitividade no exigente mercado europeu.






