A União Europeia (UE) oficializou, nesta terça-feira (12), uma atualização crucial em sua lista de nações habilitadas a exportar produtos de origem animal para o bloco. O Brasil, que figura entre os maiores fornecedores mundiais de proteína, foi excluído do rol de países que cumprem as exigências sanitárias relativas ao uso de antimicrobianos na pecuária. A medida, com efeitos práticos a partir de 3 de setembro, impõe um desafio significativo ao setor agropecuário nacional, impactando exportações de carne bovina, aves, ovos, mel e outros itens derivados.
A exclusão decorre da falta de garantias formais por parte das autoridades brasileiras quanto à proibição de substâncias antimicrobianas, muitas vezes utilizadas no país como promotores de crescimento ou para prevenção de doenças. De acordo com a Comissão Europeia, o acesso ao mercado europeu — o segundo maior destino das carnes brasileiras em valor, movimentando cerca de 1,8 bilhão de dólares apenas em 2025 — só será restabelecido mediante a comprovação total de conformidade com as normas sanitárias rigorosas do bloco.
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Especialistas apontam que o problema envolve substâncias como a virginiamicina, avoparcina e tilosina, que já são alvo de restrições crescentes por parte do Ministério da Agricultura. O pesquisador Leonardo Munhoz, do Centro de Bioeconomia da FGV, destaca que o impacto vai além do volume financeiro imediato. A situação coloca em xeque a necessidade urgente de aprimoramento na rastreabilidade dos animais e na certificação sanitária do rebanho brasileiro, elementos fundamentais para manter a competitividade internacional.
Embora o setor agropecuário brasileiro tenha buscado alinhar suas práticas às demandas globais, o rigor da União Europeia reflete uma tendência de proteção sanitária que vem sendo discutida desde 2019. O governo brasileiro agora enfrenta dois caminhos complexos: avançar na proibição legal de medicamentos em todo o território nacional ou implementar sistemas de rastreamento robustos que certifiquem que a carne exportada ao mercado europeu esteja livre das substâncias vetadas. Enquanto a conformidade não for demonstrada tecnicamente perante os órgãos de controle europeus, o país permanecerá fora da lista de exportadores autorizados, gerando incerteza sobre os contratos de longo prazo e a logística do setor exportador.






