Fernando de Noronha registrou a chegada de 64.970 turistas durante o primeiro semestre de 2026, conforme dados oficiais de visitação do Parque Nacional Marinho. Embora a ilha tenha superado a marca de 11 mil visitantes em três meses distintos, o volume total acumulado no período ficou aquém do teto previsto no acordo de gestão compartilhada, que estabelece um limite semestral de 66 mil pessoas e um máximo anual de 132 mil. O desempenho tem gerado preocupação entre os empresários locais, que apontam uma discrepância entre o fluxo de visitantes e a viabilidade econômica dos negócios.
Representantes do trade turístico da ilha destacam que a temporada atual foi marcada por desafios significativos. Ailton Flor, presidente do Conselho de Turismo de Fernando de Noronha e da Associação dos Donos de Pousadas, ressaltou que o movimento foi particularmente baixo entre os meses de março e junho. Segundo o setor, fatores conjunturais, como o calendário da Copa do Mundo e o período eleitoral, contribuíram para a retração na procura pelo destino, afetando diretamente a taxa de ocupação das hospedagens em todo o arquipélago.
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Além dos fatores externos, problemas estruturais têm sido apontados como um gargalo para o desenvolvimento do turismo local. Nino Alexandre Lehnemann, presidente da Associação de Locadoras de Veículos, enfatizou que a precariedade das vias, com problemas crônicos de pavimentação e acúmulo de lama, tem prejudicado a experiência dos turistas e a imagem do destino. Relatos indicam que locadoras registraram quedas recordes de demanda, frustrando as expectativas de rentabilidade que historicamente se estendiam até o período da Páscoa.
Outro ponto de atenção levantado pelos empresários é a mudança na dinâmica de mercado. Haryrton Almeida, proprietário de uma agência de receptivo, observou que, nos últimos anos, houve um crescimento na oferta de leitos, veículos e serviços, o que acaba diluindo a demanda entre um número maior de estabelecimentos. Como o número de visitantes é controlado pelo limite ambiental do parque, o aumento da concorrência interna resulta em uma ocupação média menor para cada empresa, dificultando a manutenção das operações. Em nota, o ICMBio reiterou que atua em diálogo com o Governo de Pernambuco e a Anac para assegurar que a visitação permaneça em conformidade com o limite estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal, enquanto a administração da ilha ainda não se posicionou sobre as queixas do setor.






