O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reafirmou, nesta terça-feira (28), a decisão que culminou na cassação do mandato do atual governador de Roraima, Edilson Damião (União Brasil), e na inelegibilidade do ex-governador Antonio Denarium (Republicanos). A medida, de repercussão nacional, é fruto de uma longa tramitação judicial que apura práticas ilegais durante o pleito de 2022. Embora o julgamento tenha sido suspenso pela presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, para ajustes técnicos na tese do ministro André Mendonça, a tendência é de que o resultado oficial seja proclamado na próxima quinta-feira (30), sem alterações significativas no mérito da decisão já consolidada.
A condenação dos políticos está fundamentada em evidências robustas de abuso de poder político e econômico. Segundo as investigações, a chapa vencedora utilizou a estrutura pública e programas sociais de forma desproporcional para obter vantagem eleitoral. Entre os ilícitos apontados pela coligação "Roraima Muito Melhor", destacam-se a execução de reformas habitacionais através do programa Morar Melhor, a distribuição indiscriminada de cestas básicas em período vedado e a transferência expressiva de R$ 70 milhões para municípios, violando as normas de conduta dos agentes públicos. A situação agora aponta para a realização de novas eleições no estado de Roraima, conforme determina a legislação eleitoral brasileira.
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O desdobramento jurídico deste caso é emblemático por envolver múltiplos processos contra a mesma gestão. Antonio Denarium, que renunciou ao cargo há menos de um mês, acumula histórico de cassações por diferentes órgãos colegiados, evidenciando um padrão de irregularidades que culminou na decisão do TSE. Edilson Damião, que assumiu o governo em março de 2026 após a saída de seu antecessor, teve seu curto período de mandato interrompido pela decisão da Corte Superior. A defesa dos políticos tentou reiteradamente reverter as condenações impostas pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), alegando falta de fundamentos, contudo, a relatora Isabel Gallotti e a maioria dos ministros entenderam que as provas de promoção pessoal e aumento indevido de gastos com publicidade institucional foram contundentes. Este cenário de instabilidade política em Roraima coloca em xeque a lisura do pleito de 2022 e reforça o papel do TSE em coibir o uso da máquina pública para fins eleitoreiros, garantindo o equilíbrio democrático necessário para a soberania do voto popular.






