O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma medida drástica que impacta o setor farmacêutico global ao ordenar a aplicação de tarifas de 100% sobre determinadas importações de medicamentos de marca. A decisão, que ocorre exatamente um ano após o chamado "Dia da Libertação" — período marcado por uma onda de taxações em diversos produtos ao redor do mundo —, também abrange a reformulação de tarifas sobre derivados de aço, alumínio e cobre. A medida busca, entre outros objetivos, recompor a arrecadação tributária após decisões judiciais da Suprema Corte que derrubaram cobranças anteriores em fevereiro deste ano.
A nova diretriz estabelece que fabricantes estrangeiros de medicamentos patenteados devem firmar acordos com o governo norte-americano para reduzir os preços dos fármacos prescritos e, simultaneamente, comprometer-se a transferir suas plantas produtivas para dentro do território dos EUA. Empresas que não cumprirem ambos os requisitos estarão sujeitas à alíquota máxima de 100%, enquanto aquelas que optarem por uma transferência parcial de produção enfrentarão uma taxa de 20%.
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O pacote de medidas, contudo, enfrenta resistência de diversos setores econômicos. A Câmara de Comércio dos EUA alertou que o sistema complexo de tarifas sobre medicamentos, somado ao aumento dos custos em insumos como metais, poderá elevar drasticamente os preços para o consumidor final e pressionar ainda mais as cadeias de suprimentos, que já lidam com as consequências da crise energética global. Neil Bradley, diretor de políticas da entidade, afirmou que a iniciativa representa um risco inflacionário significativo para as famílias americanas.
Em defesa da política, o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, descreveu o movimento como um "botão de reinicialização" necessário para um sistema comercial global que considera falho. Segundo o governo, as grandes farmacêuticas terão um prazo de 120 dias para se adequar às novas regras, enquanto produtores menores contarão com 180 dias. Exceções foram feitas para parceiros comerciais específicos, como Japão, Coreia do Sul, Suíça e países da União Europeia, que terão taxas limitadas a 15%. O Reino Unido, por sua vez, garantiu um acordo de tarifa zero para medicamentos produzidos em seu território por pelo menos três anos.
A decisão reflete a continuidade de uma política externa pautada pelo protecionismo comercial, iniciada há um ano. Enquanto o governo justifica a medida como uma estratégia para elevar salários e fortalecer a produção nacional, especialistas acompanham com cautela as possíveis retaliações de parceiros internacionais e o impacto prolongado na inflação setorial.






