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Trump formaliza “Conselho da Paz” em Davos e propõe organismo paralelo à ONU

Por Redação Arcoverde Agora
Trump formaliza “Conselho da Paz” em Davos e propõe organismo paralelo à ONU

Foi formalizado na manhã desta quarta-feira, em Davos, o chamado “Conselho da Paz”, iniciativa idealizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que prevê uma estrutura incomum para um organismo internacional. Pelo modelo apresentado, Trump atuaria como presidente vitalício, com poderes semelhantes aos de um CEO, incluindo direito de veto.

De acordo com a proposta, países interessados em se tornar membros permanentes do conselho devem pagar uma taxa de adesão de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,3 bilhões). O grupo foi anunciado sob o argumento de atuar na reconstrução da Faixa de Gaza, mas, segundo analistas, também teria a intenção de intervir em outros conflitos globais e rivalizar com a Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar da projeção feita por Trump, o conselho já nasce com adesão limitada. Dos 60 convites enviados a líderes mundiais, cerca de 25 países aceitaram participar. Entre os europeus, apenas a Hungria, liderada pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, confirmou presença. Outros países do continente recusaram ou ainda não responderam, refletindo um clima de desconfiança na relação com o presidente norte-americano.

Durante a cerimônia, Trump exaltou a composição do conselho, afirmando que o grupo seria formado por “estrelas e as pessoas mais influentes do mundo”. Em discurso, minimizou divergências internacionais e afirmou: “Cada um dos que estão aqui é meu amigo. Gosto de todos”.

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O tema Gaza, que justificou oficialmente a criação do conselho, teve pouco destaque. Trump voltou a se referir ao território como “uma bela propriedade à beira-mar”. O genro do presidente, Jared Kushner, apresentou projeções de uma Gaza futurista, com arranha-céus, áreas turísticas e desenvolvimento imobiliário.

Entre os países representados no evento estiveram Mongólia, Uzbequistão, Emirados Árabes Unidos, Turquia, Arábia Saudita, Catar, Paraguai, Paquistão, Kosovo, Cazaquistão, Jordânia, Indonésia, Hungria, Bulgária, Azerbaijão, Armênia, Argentina, Marrocos e Bahrein.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aceitou integrar o conselho, mas não compareceu ao evento por ser alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a Humanidade. Caso o presidente da Rússia, Vladimir Putin, aceite o convite, será o segundo líder procurado pelo TPI a integrar o grupo.

A China, membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, ainda não respondeu ao convite e manifestou preocupação com a criação de um clube internacional privado com pretensões multilaterais. O Brasil também não se pronunciou até o momento.

A proposta apresentada por Trump indica que, segundo sua visão, organismos internacionais só têm legitimidade se estiverem sob sua liderança direta, o que tem gerado críticas e ceticismo no cenário diplomático global.

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