O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (22) que a divulgação dos arquivos relacionados ao caso Jeffrey Epstein está afetando de forma injusta a reputação de pessoas que mantinham relações sociais “inocentes” com o financista condenado por abuso e tráfico sexual de menores.
A declaração foi feita após o Departamento de Justiça iniciar, na última sexta-feira, a liberação dos documentos, conforme determina a Lei de Transparência dos Arquivos Epstein (EFTA), recentemente aprovada pelo Congresso e sancionada pelo próprio Trump. Segundo o presidente, a exposição de nomes e imagens antigas tem provocado um escrutínio indevido sobre figuras públicas que não teriam ligação com os crimes.
Entre os principais nomes citados nos primeiros documentos está o do ex-presidente Bill Clinton (Partido Democrata), que aparece em fotografias antigas ao lado de Epstein. Já na leva seguinte, divulgada nesta terça-feira, o nome do próprio Trump também surge em registros de voos e em um bilhete de 2019 que aparentemente o menciona.
Antecipando possíveis repercussões, Trump declarou solidariedade aos citados, incluindo Clinton. “Eu gosto do Bill Clinton. Sempre me dei bem com ele. Detesto ver fotos dele sendo divulgadas, assim como não gosto de ver imagens de outras pessoas. Acho isso terrível”, disse o presidente a jornalistas em Mar-a-Lago, na Flórida.
Trump reforçou que muitas das pessoas retratadas ao lado de Epstein podem ter tido apenas contatos sociais, sem envolvimento com crimes. Ele citou ainda imagens que incluem celebridades e figuras políticas, como Michael Jackson, Mick Jagger e Steve Bannon, defendendo que nem toda relação com o financista implica culpa.
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“Provavelmente estão sendo divulgadas fotos de outras pessoas que conheceram Jeffrey Epstein inocentemente anos atrás”, afirmou Trump, mencionando também Larry Summers, ex-secretário do Tesouro e ex-reitor de Harvard, que deixou a vida pública após a revelação de e-mails trocados com Epstein.
O presidente norte-americano também criticou duramente a imprensa, alegando que a cobertura do caso estaria sendo usada para desviar a atenção das conquistas do Partido Republicano. “Essa história do Epstein serve para desviar a atenção do enorme sucesso que o Partido Republicano vem alcançando. Estamos falando de conquistas históricas, e as perguntas continuam sendo sobre Epstein”, reclamou.
Apesar da exigência legal de divulgação integral dos arquivos até a última sexta-feira, o Departamento de Justiça liberou apenas parte do material, o que gerou protestos de sobreviventes e críticas de parlamentares que cobram transparência total.
O porta-voz de Bill Clinton, Angel Urena, criticou o que chamou de divulgação seletiva e pediu que todo o conteúdo restante seja tornado público. “Alguém ou algo está sendo protegido. Não sabemos quem, o quê ou por quê”, declarou, acusando o Departamento de Justiça de agir de forma estratégica.
Jeffrey Epstein, financista bilionário condenado por tráfico sexual de menores, morreu em 2019, enquanto aguardava julgamento em uma prisão de Nova York, em um caso oficialmente tratado como suicídio.






