A chamada trend “Caso ela diga não”, que se disseminou rapidamente através da plataforma TikTok, tem despertado profunda preocupação e indignação na imprensa internacional. O conteúdo, de caráter abertamente masculinista, exibe homens simulando ataques violentos, incluindo o uso de facas e armas contra manequins, sob o pretexto de estarem se “preparando” para uma eventual rejeição amorosa. A gravidade da situação ultrapassou as fronteiras brasileiras e se tornou objeto de análise em veículos de prestígio na França, como os jornais Le Parisien, 20 Minutes e o canal France 24, que questionam a omissão das plataformas digitais e a impunidade dos criadores desse tipo de material nefasto.
Especialistas e jornalistas internacionais apontam uma conexão alarmante entre esse discurso de ódio virtual e o aumento real da violência de gênero em solo brasileiro. O caso da jovem Alana Anisio Rosa, de 20 anos, serve como exemplo trágico dessa influência: a vítima foi brutalmente esfaqueada e espancada em São Gonçalo (RJ) por um homem que, segundo investigações, consumia ativamente conteúdos de “treinamento” para situações de recusa. O episódio, que deixou sequelas profundas, ilustra como a ficção cruel alimentada por algoritmos de redes sociais transborda para o mundo real, culminando em atos de tentativa de feminicídio.
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A repercussão negativa desse movimento nas redes sociais reforça a urgência de debates sobre a regulação de conteúdos digitais e o combate à cultura da misoginia. Enquanto influenciadores buscam legitimidade para ideologias que promovem a submissão e o ataque às mulheres — muitas vezes mascarados sob o rótulo de “macho alfa” —, a sociedade civil brasileira intensifica as pressões pelo avanço de legislações como o chamado “PL da Misoginia”. A resistência de setores conservadores no Congresso Nacional frente a essa pauta é vista, por observadores internacionais, como um obstáculo adicional na luta para proteger vidas e coibir a escalada de crimes de ódio.
Além da pressão política, movimentos de contraponto têm surgido nas próprias redes sociais. Internautas franceses e brasileiros utilizam os mesmos espaços de disseminação do ódio para promover mensagens de respeito e igualdade, questionando por que as plataformas permitem que indivíduos que se filmam cometendo ou simulando atos violentos permaneçam impunes. A cronista Mathilde Serrell, da rádio France Inter, sintetizou o sentimento global ao expressar a necessidade urgente de uma mudança profunda nas leis e na mentalidade social, destacando que, sem medidas concretas, o ciclo de violência contra a mulher continuará sendo alimentado pela negligência e pelo silêncio institucional.






