O Corpo de Bombeiros de Pernambuco localizou, neste domingo (17), o corpo do agricultor Marcelo Francisco Silva, de 50 anos, que estava desaparecido desde a última sexta-feira (15). A vítima foi encontrada boiando na localidade de Chã de Santana 2, a aproximadamente 500 metros do ponto onde caiu no Rio Capibaribe, em Lagoa do Carro, na Zona da Mata Norte do estado. O corpo estava retido em meio à vegetação e foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML), no Recife.
Segundo relatos de familiares, o incidente ocorreu enquanto Marcelo atravessava uma ponte na fazenda em que trabalhava, no momento em que o volume de água do rio aumentou subitamente devido à abertura de uma das comportas da Barragem de Carpina. A operação de abertura da represa foi motivada pelo aumento do nível da água em decorrência das fortes chuvas que atingiram a região no início deste mês. A força da correnteza surpreendeu o trabalhador, que acabou escorregando e sendo arrastado rio abaixo.
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O episódio desencadeou um conflito institucional sobre a transparência do processo de segurança hídrica. Enquanto o governo estadual, por meio da Secretaria de Recursos Hídricos, assegurou que cumpriu integralmente o Protocolo de Controle de Cheias — Operação Carpina, enviando ofícios e alertas aos municípios, a prefeitura de Lagoa do Carro apresentou uma versão divergente. O secretário de Infraestrutura do município, Neo Amorim, afirmou que a gestão foi surpreendida pela manobra e que comunicações realizadas apenas via aplicativos de mensagens não constituem notificação oficial.
O governo, em nota, reforçou que a Defesa Civil adotou as medidas de praxe e que a informação sobre a abertura de 70 centímetros da comporta foi disseminada pelos canais de comunicação com coordenadores municipais. O caso, que provocou protestos de moradores na região, segue sendo acompanhado pelas autoridades, enquanto a comunidade de Lagoa do Carro lamenta a perda do agricultor, ressaltando a importância de métodos mais eficazes de alerta à população que vive nas proximidades dos leitos dos rios e barragens, evitando que tragédias evitáveis como esta voltem a acontecer.






