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Trabalhar mais para evitar a IA? Especialistas alertam que estratégia pode ser ineficaz

Por Redação Arcoverde Agora
Trabalhar mais para evitar a IA? Especialistas alertam que estratégia pode ser ineficaz

O avanço da inteligência artificial (IA) no mercado global tem provocado uma onda de insegurança entre profissionais, resultando em uma reação peculiar: o aumento das jornadas de trabalho. Diante do medo de demissões, muitos trabalhadores têm buscado demonstrar sua relevância através de uma presença intensificada, estendendo horários e reduzindo pausas. Uma pesquisa recente realizada pela plataforma Resume.io revela que, em média, funcionários estão trabalhando duas horas e 24 minutos a mais por semana, o que representa um acréscimo de quase 125 horas ao longo de um ano, em um esforço claro para evitar a obsolescência profissional perante a automação.

Essa intensificação do trabalho muitas vezes deriva no fenômeno conhecido como 'teatro da produtividade'. Segundo o estudo, 67% dos entrevistados admitem adotar posturas apenas para parecerem ocupados, como manter o status online ativo constantemente ou responder a mensagens de forma imediata, mesmo fora do expediente. No entanto, especialistas em gestão e saúde mental advertem que essa estratégia, focada puramente no volume de horas, está desalinhada com as mudanças estruturais que o mercado de trabalho atravessa, sendo uma resposta que pode não oferecer a proteção esperada.

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Conforme explica o psiquiatra Thiago Genaro, da Conexa, o mercado está deixando de valorizar o 'quanto se trabalha' para priorizar o 'como e para quê se trabalha'. Com a IA assumindo tarefas mecânicas e repetitivas, a eficiência técnica passa a ser um critério básico, deslocando a necessidade humana para competências que as máquinas ainda não possuem, como análise crítica, tomada de decisão, criatividade e inteligência emocional. A tentativa de competir com a velocidade da máquina através de horas extras negligencia que o valor do colaborador moderno reside justamente no diferencial humano que a tecnologia não consegue replicar.

Emílio Salcedo, especialista em tecnologia da RS Systems, reforça que o verdadeiro risco não é a tecnologia em si, mas a sua implementação sem o devido suporte ou revisão de metas corporativas. Para o especialista, o caminho ideal para o trabalhador do século XXI não é a sobrecarga, mas a adaptação estratégica. Isso envolve mapear tarefas que podem ser automatizadas e utilizar a IA como uma ferramenta de apoio para a produtividade, em vez de tentar realizar tarefas repetitivas manualmente por mais horas. O futuro do trabalho exige, portanto, que o profissional evolua de um executor de tarefas para um estrategista que domina a tecnologia, preservando sua saúde mental e focando em entregas de alto valor agregado que demandem sensibilidade e pensamento estratégico, características intrínsecas à experiência humana.

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