Pesquisadores da Universidade de Pernambuco (UPE) deram um passo importante rumo à modernização do atendimento de pacientes com hanseníase no estado. O projeto "hansen.ai" desenvolveu a Avaliação Neurológica Simplificada Digital (ANSd), um aplicativo inovador que visa substituir o método tradicional de registro em papel por uma plataforma digital intuitiva e ágil. A iniciativa, que conta com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Saúde, busca sanar dificuldades históricas enfrentadas pelas unidades de saúde no manejo clínico da doença.
Atualmente, o processo diagnóstico exige que especialistas realizem estímulos físicos na pele dos pacientes para mapear a sensibilidade térmica, dolorosa e tátil, registrando os resultados com canetas coloridas em formulários impressos. Esse método analógico não apenas consome tempo, mas também está sujeito a deterioração física dos registros e falhas humanas. A nova ferramenta digital replica fielmente o modelo regulamentado pelo Ministério da Saúde, permitindo que os profissionais realizem as mesmas avaliações com maior qualidade de dados, menor tempo de execução e, consequentemente, uma gestão de informações muito mais eficiente para o Sistema Único de Saúde (SUS).
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O Hospital Otávio de Freitas, no Recife, será o primeiro centro de referência a realizar os testes de usabilidade da tecnologia. A implementação é vista como uma solução crítica para o enfrentamento da hanseníase, que ainda apresenta índices preocupantes de diagnóstico tardio. De acordo com a Dra. Danielle Moura, integrante da equipe de pesquisa, a sistematização digital permitirá uma análise mais precisa dos dados populacionais, evitando a perda de informações cruciais e auxiliando na detecção precoce de complicações. O projeto, que envolve uma colaboração interdisciplinar entre UPE, IFPE e UFPB, prevê ainda o desenvolvimento de modelos de inteligência artificial para prever a evolução da doença em cada paciente.
Com o objetivo de expandir o alcance da ferramenta para todo o Brasil, os pesquisadores enfrentam desafios burocráticos e logísticos, incluindo a necessidade de infraestrutura de hardware nas unidades hospitalares. O projeto, que tem previsão de conclusão para o final de 2026, planeja integrar futuramente uma interface dedicada ao paciente, reforçando o autocuidado e a adesão ao tratamento. Em um cenário onde a hanseníase ainda gera incapacidades físicas permanentes devido ao diagnóstico tardio, o uso da tecnologia surge como um divisor de águas, garantindo que o SUS possa oferecer um suporte mais digno, tecnológico e eficaz para milhares de cidadãos pernambucanos.






