O Tribunal de Contas da União (TCU) determinou a abertura de uma investigação rigorosa para apurar possíveis irregularidades na aquisição de seis trens usados, anteriormente operados na rede metroviária de Belo Horizonte, pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) no Recife. A transação, avaliada em R$ 60 milhões, tornou-se alvo de questionamentos devido à discrepância significativa nos valores e às condições técnicas do material rodante adquirido para reforçar a malha ferroviária da capital pernambucana.
A denúncia que chegou à corte de contas aponta que as composições da Série 900, com cerca de 40 anos de uso, teriam sido negociadas anteriormente por valores drasticamente inferiores, situados na casa dos R$ 4,2 milhões. Adicionalmente, foi reportado que uma empresa privada teria oferecido à estatal sete unidades pelo montante de R$ 28 milhões, o que levantou suspeitas sobre a escolha da CBTU pelo contrato de R$ 60 milhões junto à concessionária Metrô BH.
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Embora tenha solicitado a suspensão cautelar da compra, o relator do caso, ministro Jorge Oliveira, ponderou que uma interrupção abrupta do processo poderia agravar a crise operacional que o metrô do Recife já enfrenta. O sistema, que carece de modernização, possui uma frota cuja vida útil deve se esgotar até abril de 2027, o que torna a aquisição uma medida de caráter emergencial aos olhos da atual gestão federal, visando evitar o colapso total do serviço.
Diante do cenário, o TCU não suspendeu a negociação, mas impôs um prazo rigoroso de 15 dias para que a CBTU apresente a integralidade dos documentos do processo administrativo, incluindo contratos e registros de pagamento. O objetivo é aferir se os valores praticados condizem com o mercado ou se houve superfaturamento. Enquanto a Metrô BH orientou que esclarecimentos sejam buscados junto à estatal, a CBTU ainda não se manifestou publicamente sobre as apurações em curso, mantendo a expectativa sobre o desenrolar desta investigação que impacta diretamente a mobilidade urbana em Pernambuco.






