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TCE-PE multa e cobra R$ 202 mil por desvio de merenda em Buíque entre 2021 e 2023

Por Redação Arcoverde Agora
TCE-PE multa e cobra R$ 202 mil por desvio de merenda em Buíque entre 2021 e 2023

O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) determinou o ressarcimento de R$ 202.741,14 aos cofres públicos do município de Buíque, no Agreste, após identificar graves irregularidades em despesas com merenda escolar e transporte entre 2021 e 2023.

A decisão foi publicada no Diário Oficial do TCE nesta sexta-feira (5) e inclui também multas superiores a R$ 27 mil aplicadas a ex-gestores municipais.

Irregularidades apontadas pelo TCE-PE

De acordo com o Acórdão T.C. Nº 1810/2025, da Segunda Câmara, a auditoria especial constatou:

  • Merenda escolar sem comprovação: Pagamentos de R$ 130.741,14 em gêneros alimentícios sem prova de entrega às escolas municipais.

  • Locação irregular de veículos: Gastos de R$ 72.000,00 sem comprovação da prestação de serviços, inclusive em período sem aulas presenciais.

  • Locações sem licitação: Contratações sem procedimento licitatório ou justificativa de exclusividade.

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Punições aplicadas

A ex-secretária de Educação, Marilan Belisario Lino, foi responsabilizada pelo ressarcimento integral dos R$ 202.741,14 e multada em R$ 10.963,44.

Outros três ex-gestores também receberam multa de R$ 5.481,72 cada:

  • Arquimedes Guedes Valença – ex-prefeito

  • Matheus Albuquerque Frazão – ex-secretário de Assistência Social

  • Teófila Maria Macedo Valença Correia – ex-secretária de Assistência Social e Saúde

Os valores deverão ser recolhidos em até 15 dias após o trânsito em julgado da decisão.

Fundamentação legal

O relator do processo, conselheiro Marcos Loreto, destacou em seu voto que:

“A liquidação e pagamento de despesas sem comprovação efetiva da prestação dos serviços configura dano ao erário e enseja ressarcimento pelos responsáveis.”

Ele também reforçou que a locação de imóveis pela Administração Pública exige licitação prévia.

Recomendações ao município

Para evitar novos desvios, o TCE determinou que a atual gestão de Buíque:

  • Implante controles de utilização de veículos locados (diários de bordo, relatórios de fiscalização)

  • Realize avaliações prévias para garantir compatibilidade de preços com os praticados no mercado

  • Publique periodicamente os planos de trabalho da auditoria interna

O julgamento foi unânime pelos conselheiros Ranilson Ramos (presidente da sessão), Marcos Loreto (relator) e Dirceu Rodolfo de Melo Júnior, com participação do procurador do Ministério Público de Contas, Gustavo Massa.

📌 O caso gera forte repercussão em Buíque e deve servir de alerta para maior transparência no uso de recursos da merenda escolar.

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