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STJ julga processo que pode adiar punição de ministro Marco Buzzi por assédio sexual

Por Redação Arcoverde Agora
STJ julga processo que pode adiar punição de ministro Marco Buzzi por assédio sexual

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) se prepara para julgar, nesta quarta-feira (15), um processo de grande relevância que pode impactar diretamente o futuro do ministro Marco Buzzi. A Corte Especial analisará dois casos que têm o potencial de redefinir o entendimento sobre a prerrogativa de foro, o que, consequentemente, poderia viabilizar o envio da ação penal em que o ministro responde no Supremo Tribunal Federal (STF) para a primeira instância da Justiça. Essa movimentação processual é vista com atenção por observadores jurídicos, pois pode trazer uma demora significativa para uma eventual punição.

Marco Buzzi encontra-se afastado cautelarmente de suas funções ministeriais desde o dia 10 de fevereiro, em decorrência de denúncias de assédio sexual. Uma jovem foi a primeira a relatar ter sido tocada indevidamente pelo ministro. Poucos dias depois, uma funcionária terceirizada também apresentou depoimento detalhando episódios de assédio em seu ambiente de trabalho, dentro do próprio gabinete. Segundo o relato obtido pelo blog, o ministro teria tocado as nádegas da funcionária, segurado seus braços e proferido comentários considerados inapropriados.

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O ministro Marco Buzzi está respondendo às acusações em duas frentes distintas: a administrativa e a judicial. Na esfera administrativa, o STJ tem marcada para esta terça-feira (14) a deliberação sobre a abertura de um Procedimento Administrativo Disciplinar (PAD). Este processo, em caso de condenação, pode culminar na perda do cargo. Paralelamente, na esfera judicial, a ação penal que apura os fatos tramita no STF, sob a relatoria do ministro Kassio Nunes Marques. O julgamento desta quarta-feira (15) no STJ é crucial, pois o entendimento firmado pode abrir caminho para que a ação penal que se encontra no STF seja encaminhada para a primeira instância.

A decisão do STF sobre a prerrogativa de foro, em sua última revisão, estabeleceu que este benefício se aplica apenas a crimes cometidos durante o exercício do mandato e estritamente em função dele. Contudo, a interpretação sobre se este entendimento abrange todos os tipos de delitos ou se restringe a delitos de natureza funcional ainda permanece em discussão, especialmente em sede de embargos declaratórios. O STJ, ao decidir sobre o aspecto específico que afeta autoridades sob sua jurisdição – como governadores, desembargadores, conselheiros de tribunais de contas e membros do Ministério Público –, pode influenciar uma nova análise por parte do STF. A expectativa entre os ministros da corte é que, ao se manifestar sobre o tema, o STF possa reexaminá-lo.

Caso prevaleça o entendimento de que a prerrogativa de foro se aplica a todos os delitos, independentemente de serem funcionais ou não, a ação penal movida contra Marco Buzzi poderá ser remetida para a primeira instância. Este desfecho pode ocorrer por meio de um despacho direto do relator no STF ou mediante provocação da defesa do ministro. Uma vez na primeira instância, o processo ganha mais possibilidades de recursos, o que, na prática, pode prolongar o desfecho e adiar uma eventual sanção contra o ministro.

Antes da análise judicial, o STJ deliberará sobre a abertura do processo disciplinar administrativo. Ministros ouvidos pela reportagem indicam que a tendência é a abertura do processo investigatório, embora não haja unanimidade. A defesa de Buzzi, conforme informações de quem teve acesso ao memorial, tem se concentrado em buscar divergências nos depoimentos das vítimas e alega que as duas denunciantes teriam se comunicado. Até o momento da publicação desta nota, a defesa do ministro não retornou os contatos para comentar o caso.

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