O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início a um julgamento de extrema relevância para a estabilidade política do estado do Rio de Janeiro, que se encontra em uma situação de vacância no Poder Executivo. A corte analisa atualmente o modelo sucessório que deverá ser adotado após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro (PL) e a subsequente cassação de figuras centrais na linha sucessória estadual, incluindo o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar. Até o momento, o placar no plenário aponta 3 a 1 em favor da realização de eleições indiretas, sendo conduzidas pelos parlamentares fluminenses.
Os ministros Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques votaram pela adoção da via indireta, argumentando que a renúncia de Castro ocorreu em um contexto de desincompatibilização legítima para fins eleitorais, o que autorizaria a aplicação da legislação estadual vigente. Por outro lado, o ministro Cristiano Zanin manifestou-se a favor da realização de eleições diretas, defendendo que a população deve ser consultada por meio do voto popular para definir os rumos do estado até o pleito regular de 2027. A discussão, no entanto, foi temporariamente interrompida após o ministro Flávio Dino solicitar vista dos autos.
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O pedido de vista de Flávio Dino fundamenta-se na necessidade de aguardar a publicação formal do acórdão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) referente à cassação de Cláudio Castro. Segundo o ministro, a análise detalhada dos termos da decisão da corte eleitoral é indispensável para determinar se a renúncia foi, de fato, legítima ou uma tentativa de contornar julgamentos pendentes. Durante este período de incerteza jurídica, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, permanece à frente do governo do estado de forma interina.
Além da definição sobre o caráter direto ou indireto do pleito, o STF também examina a constitucionalidade de dispositivos da lei fluminense que tratam de prazos de desincompatibilização e sobre a natureza do voto na Assembleia Legislativa — se deve ser aberto ou secreto. O cenário ganha complexidade adicional devido à ausência de um vice-governador no estado desde maio de 2025, após a saída de Thiago Pampolha para o Tribunal de Contas. A decisão final do Supremo será um divisor de águas para a governabilidade do Rio de Janeiro, consolidando o entendimento sobre a sucessão estadual em cenários de crise institucional. O tribunal deve retomar a análise do processo assim que a documentação do TSE for devidamente processada, permitindo que os ministros votantes concluam o debate e definam o destino democrático do estado.






