O cenário político no Rio de Janeiro atravessa um momento de instabilidade institucional sem precedentes, marcado por uma sucessão de eventos que culminaram na vacância dos principais cargos do Poder Executivo fluminense. Nesta sexta-feira (24), o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), reiterou uma decisão anterior que assegura a permanência de Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Estado (TJRJ), no comando interino do Governo do Rio de Janeiro. A determinação atende a uma solicitação protocolada pelo PSD, partido liderado pelo ex-prefeito Eduardo Paes, que buscava garantir a segurança jurídica sobre a ocupação do Palácio Guanabara.
A crise ganhou contornos dramáticos após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar, que ocupava a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), e a renúncia do então governador Cláudio Castro (PL). Castro optou por deixar o cargo antes da conclusão do processo que o tornou inelegível por um período de oito anos. A situação de vacância foi agravada pelo fato de o estado estar sem vice-governador desde maio de 2025, uma vez que Thiago Pampolha havia deixado a posição para integrar o quadro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), deixando o Executivo sem sucessor imediato na linha constitucional.
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Diante da ausência tanto do governador quanto do vice, o STF interveio para evitar um vácuo de poder que pudesse comprometer a gestão das políticas públicas e a ordem administrativa do Rio. A decisão liminar que colocou o presidente do Tribunal de Justiça à frente do estado visa, portanto, garantir a continuidade administrativa até que uma definição definitiva seja alcançada pela Suprema Corte. O debate central agora gira em torno da modalidade de escolha do novo gestor estadual: se o estado passará por eleições diretas, com o voto popular, ou se o próximo mandatário será escolhido por vias indiretas.
O julgamento sobre a forma como o sucessor será eleito encontra-se, contudo, em suspenso no plenário do STF. O processo foi interrompido por um pedido de vista do ministro Flávio Dino, que solicitou mais tempo para analisar os detalhes da matéria. Até o momento do pedido de vista, o placar contava com quatro votos favoráveis ao modelo de eleições indiretas contra um único voto dissidente. Enquanto a Corte não retoma o julgamento, a gestão de Ricardo Couto permanece como a salvaguarda para a manutenção da governabilidade fluminense, evitando que a crise política impacte ainda mais o atendimento às demandas da população do Rio de Janeiro.






