O Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta dificuldades significativas para efetivar a intimação do deputado federal Mário Frias (PL-SP) no âmbito de uma apuração preliminar que investiga possíveis irregularidades na execução de recursos de emendas parlamentares. O parlamentar, que atuou como produtor executivo do filme "Dark Horse", é alvo de uma investigação solicitada pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), que questiona o repasse de R$ 2 milhões destinados por Frias à ONG Instituto Conhecer Brasil, presidida pela produtora do referido documentário.
A tentativa de comunicação oficial, determinada pelo ministro Flávio Dino em março deste ano, tem se mostrado infrutífera. Relatórios emitidos por um oficial de Justiça destacam uma série de obstáculos, desde a ausência do parlamentar em seu gabinete até a constatação de que o endereço residencial fornecido pela Câmara dos Deputados ao STF está desatualizado há pelo menos dois anos. Além disso, a justificativa apresentada por assessores indica que Frias estaria em uma missão internacional, sem previsão concreta de retorno para prestar esclarecimentos sobre o caso.
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A polêmica ganha contornos mais complexos devido ao envolvimento do Banco Master e de seu proprietário, Daniel Vorcaro, no financiamento da mesma obra cinematográfica. Reportagens revelaram que o projeto recebeu aportes vultosos antes da prisão de Vorcaro, com intermediação do senador Flávio Bolsonaro (PL). Em meio ao desgaste político, o deputado Mário Frias busca resguardar sua atuação parlamentar, contando com o apoio da própria Câmara dos Deputados. Em nota técnica, a Casa legislativa afirmou não ter detectado irregularidades nas emendas citadas, sustentando que os processos seguiram as normas constitucionais e que a prestação de contas pelos beneficiários ainda está em fase de processamento.
Enquanto o STF mantém o foco no cumprimento do mandado, a defesa e os aliados de Mário Frias enfatizam que o parlamentar está cumprindo compromissos oficiais no exterior. A questão central agora reside em saber se a insistência da Corte na intimação forçará um contato direto em breve ou se o rito processual sofrerá novos atrasos, prolongando o debate sobre a ética e a transparência na aplicação de verbas públicas em projetos audiovisuais com viés ideológico. O caso permanece sob análise da Suprema Corte, aguardando que o deputado seja formalmente notificado para apresentar sua versão dos fatos à Justiça.






