O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a prisão preventiva do empresário Ricardo Andrade Magro, controlador do Grupo Refit, em decorrência das investigações conduzidas pela Polícia Federal na denominada "Operação Sem Refino". Além da ordem de prisão, o magistrado solicitou a inclusão do nome de Magro na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo internacional que visa localizar e capturar foragidos da justiça brasileira ao redor do mundo. A ação deflagrada nesta sexta-feira (15) também incluiu o cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, bem como na sede da refinaria localizada em Duque de Caxias.
A investigação aponta Ricardo Magro como o articulador de uma organização criminosa estruturada para a prática de crimes de colarinho branco, incluindo fraudes bilionárias, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal sistemática no setor de combustíveis. De acordo com os relatórios da Polícia Federal, o grupo teria montado um ecossistema complexo de empresas de fachada, fundos de investimento e offshores localizadas em paraísos fiscais, com o objetivo de ocultar patrimônio e desviar recursos públicos. O prejuízo estimado aos cofres da União e dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro ultrapassa a cifra de R$ 52 bilhões em ICMS não recolhido, configurando um dos maiores rombos fiscais já registrados no país.
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O esquema criminoso teria se beneficiado da cooptação de agentes públicos e da influência em órgãos de regulação e controle, como a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Receita Federal e instâncias do Poder Judiciário, visando obter vantagens competitivas e benefícios fiscais ilegítimos. Segundo a PF, o montante desviado era frequentemente enviado ao exterior, com destino a contas em Delaware (EUA), Bahamas e Malta, retornando posteriormente ao Brasil disfarçado de investimentos lícitos ou aplicado em ativos blindados contra execuções judiciais. O empresário, que reside em Miami há mais de uma década e não retorna ao Brasil desde 2018, permanece em local incerto. A inclusão na lista da Interpol é considerada medida essencial para garantir que a justiça brasileira possa efetivar o pedido de extradição, dada a gravidade dos delitos e o risco iminente de continuidade das atividades ilícitas e dissipação de bens. Até o fechamento desta edição, a defesa de Ricardo Magro não se pronunciou sobre os fatos narrados.






