A auxiliar administrativo Mariele Vitória Alves de Lima, de 22 anos, prestou depoimento crucial nesta terça-feira (10) na Segunda Delegacia da Mulher, localizada em Prazeres, Jaboatão dos Guararapes. A jovem, que sobreviveu a uma brutal tentativa de feminicídio no último dia 2 de março, relatou detalhes aterrorizantes do ataque cometido por um ex-colega de trabalho, identificado como José Leonardo Pereira da Silva. O criminoso, que havia sido demitido da empresa cerca de um mês antes do episódio, invadiu o local com a intenção de tirar a vida da vítima após ela recusar investidas amorosas, citando seu casamento como motivo.
Durante o depoimento, Mariele descreveu como suas habilidades em artes marciais, como Muay Thai e boxe, foram determinantes para que conseguisse resistir aos primeiros golpes de faca desferidos pelo agressor. Segundo a vítima, o homem iniciou o ataque assim que visualizou a foto de seu esposo na capa de seu celular. Em um ato de desespero e coragem, a jovem conseguiu desarmar o agressor e, após uma luta corporal exaustiva, foi subjugada apenas quando ele a asfixiou até a inconsciência. Após o esfaqueamento, o homem ainda jogou 'thinner' sobre a vítima e ateou fogo, causando queimaduras graves.
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Mariele recebeu alta hospitalar no dia 8 de março, data que marca o Dia Internacional da Mulher, após seis dias internada no Hospital da Restauração, no Recife. Apesar de estar viva, a jovem ainda enfrenta sequelas profundas, tanto físicas quanto emocionais. Ela descreve dores lancinantes provocadas pelas queimaduras e dificuldades para realizar movimentos simples do cotidiano. Em seu relato emocionado, Mariele enfatizou que as marcas deixadas pelo fogo e pelas agressões são permanentes, mas que sua força de vontade a mantém firme na busca por justiça.
O agressor, José Leonardo Pereira da Silva, foi preso em flagrante por testemunhas no local do crime e, posteriormente, teve sua prisão preventiva decretada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). Atualmente, ele permanece detido no Centro de Observação e Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), em Abreu e Lima. O caso segue sendo investigado como tentativa de feminicídio, e Mariele aguarda que a condenação do acusado ocorra de forma exemplar, servindo como um alerta contra a violência de gênero que ainda vitimiza tantas mulheres em todo o estado de Pernambuco.






