O setor público consolidado brasileiro, que engloba o governo federal, estados, municípios e empresas estatais, apresentou um déficit primário de R$ 16,4 bilhões no mês de fevereiro. O dado, divulgado pelo Banco Central nesta terça-feira (31), reflete um cenário onde as despesas superaram a arrecadação com tributos e impostos, desconsiderando o pagamento de juros da dívida pública. Embora o resultado seja negativo, houve uma leve melhora em comparação ao mesmo período do ano anterior, quando o saldo deficitário atingiu a marca de R$ 19 bilhões, sem o ajuste inflacionário.
O detalhamento do desempenho fiscal indica que o Governo Federal foi o maior responsável pelo saldo negativo, com um déficit de R$ 29,5 bilhões. Em contrapartida, estados e municípios registraram um superávit conjunto de R$ 13,7 bilhões, enquanto as empresas estatais apresentaram um saldo negativo de R$ 568 milhões. Este contexto coloca em evidência os desafios do atual arcabouço fiscal diante de um cenário econômico que exige equilíbrio entre a manutenção dos investimentos públicos e a necessidade de controle das contas nacionais.
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No acumulado dos dois primeiros meses de 2025, o Brasil ainda mantém um superávit primário de R$ 87,3 bilhões, equivalente a 4,23% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo estabilidade frente ao mesmo período de 2024. No entanto, a preocupação maior do mercado financeiro reside no resultado nominal, que inclui o pagamento de juros. Ao incorporar esse custo, o país registrou um déficit de R$ 100,6 bilhões apenas em fevereiro. A dívida bruta, por sua vez, subiu para 79,2% do PIB, atingindo o maior patamar desde outubro de 2021, totalizando R$ 10,2 trilhões.
Especialistas apontam que a trajetória de crescimento da dívida pública é um fator crítico para a percepção de risco pelos investidores internacionais e agências de classificação de crédito. A manutenção das taxas de juros em patamares elevados (Selic em 14,75% ao ano) pressiona os gastos com o serviço da dívida, tornando a gestão orçamentária um desafio crescente. Com o arcabouço fiscal atual buscando limitar o avanço das despesas em relação à arrecadação, a sustentabilidade das regras a longo prazo é questionada por analistas, que alertam para a necessidade de um controle mais rigoroso das contas para evitar que a dívida brasileira siga uma trajetória de alta exponencial nas próximas décadas.






