O setor apícola brasileiro iniciou uma ofensiva diplomática e comercial em Washington para reverter a imposição de tarifas sobre o mel nacional. A medida, proposta pelo ex-presidente Donald Trump, ameaça encarecer drasticamente um produto que é peça-chave para o abastecimento americano. Atualmente, o Brasil detém uma posição de hegemonia no mercado dos Estados Unidos, sendo responsável por 83% de todo o mel orgânico importado pelo país e por 75% do mel convencional. A falta de conhecimento das autoridades americanas sobre a origem do produto tem sido apontada como um dos principais entraves para a manutenção das isenções tarifárias.
A empresária Joelma Lambertucci de Brito, que representa o setor, destacou que a ausência de uma divulgação efetiva sobre a importância do mel brasileiro permitiu que o produto fosse incluído inadvertidamente em pacotes de sobretaxas. A defesa brasileira argumentará, em audiência pública marcada para o dia 6, que a produção nacional não compete com a apicultura americana, focada principalmente em polinização. Além disso, a resiliência das abelhas africanizadas, que dispensa o uso de antibióticos e acaricidas, torna o mel brasileiro um produto orgânico de difícil substituição imediata, o que elevaria o custo final para o consumidor americano e causaria prejuízos a importadores locais.
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A urgência da mobilização reflete o histórico recente de dificuldades enfrentadas pelos produtores, especialmente no Piauí, estado que exporta 85% de sua produção para o mercado americano. Em anos anteriores, sobretaxas que atingiram até 50% causaram prejuízos severos a mais de 40 mil famílias de apicultores, resultando em cancelamentos de toneladas em vendas. A estratégia atual, apoiada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), busca não apenas a isenção imediata, mas a criação de uma rede de influência contínua em Washington.
O argumento central é de natureza econômica e social. Com o apoio de importadores dos EUA que temem a perda de faturamento e a redução de postos de trabalho em solo americano, a delegação brasileira pretende demonstrar que a tarifação é prejudicial à própria economia dos Estados Unidos. Sem uma alternativa viável de curto prazo para substituir o mel brasileiro, a medida de Trump é vista pelo setor como uma política que penaliza, em última análise, o cidadão americano. A expectativa agora recai sobre a decisão que será tomada após as audiências públicas, enquanto o setor se prepara para manter o lobby ativo independentemente do resultado imediato.






