O cenário político paranaense prepara-se para uma mudança significativa de tabuleiro. O senador Sergio Moro está em vias de consolidar sua saída do União Brasil para ingressar nas fileiras do Partido Liberal (PL), sigla comandada por Valdemar Costa Neto e que tem o ex-presidente Jair Bolsonaro como principal expoente. A decisão, tomada após intensas agendas em Brasília nesta quarta-feira (18), marca o início da estratégia do parlamentar para viabilizar sua pré-candidatura ao governo do estado do Paraná. A oficialização da filiação deve ocorrer em uma cerimônia solene na capital federal, selando uma aliança que promete agitar as próximas eleições estaduais.
A movimentação foi celebrada por lideranças do PL, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, que classificou a adesão de Moro como um passo fundamental na convergência de pautas conservadoras e na interpretação do atual momento político brasileiro. A transição de Moro para o PL simboliza, na prática, um rompimento estratégico entre a cúpula do partido e o atual governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), que projeta voos nacionais. A relação, que já apresentava fissuras desde as eleições municipais de 2024 em Curitiba — quando o PL apoiou uma candidatura independente à revelia dos acordos locais —, ganha agora um contorno de oposição direta com a pré-candidatura de Moro ao Palácio Iguaçu.
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É curioso notar a reviravolta histórica desta aliança. Após a eleição de 2022, o PL foi o autor de ações judiciais que buscavam a cassação do mandato de Sergio Moro, alegando suposto abuso de poder econômico na pré-campanha. O processo, que chegou a tramitar com o apoio pontual de setores do PT, encontrou desfecho favorável ao senador no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná e foi posteriormente mantido pelo TSE, através do voto do ministro Floriano de Azevedo Marques. Superado o desgaste jurídico, o reaproximamento entre Moro e a ala bolsonarista resgata laços do período em que o ex-juiz comandou o Ministério da Justiça.
A saída de Moro do Ministério em 2020, motivada por divergências profundas quanto à autonomia da Polícia Federal, gerou críticas contundentes que, à época, pareciam irreversíveis. Contudo, a polarização do pleito de 2022 reaproximou o senador da base de apoio a Jair Bolsonaro. Com o novo passo, o parlamentar busca consolidar um campo de força robusto no Paraná, alinhando-se a uma estrutura partidária nacionalmente organizada e com forte apelo popular, projetando-se como um dos protagonistas da sucessão paranaense. A expectativa agora recai sobre os desdobramentos desta nova configuração nas lideranças locais e na base aliada do governo estadual atual.






