A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), a 9ª fase da Operação Compliance Zero, que tem como um dos principais alvos o atual líder do governo no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA). A investigação aponta uma complexa rede de influência em que o parlamentar teria utilizado seu mandato para favorecer interesses específicos do Banco Master em troca de vantagens indevidas, incluindo a aquisição de um imóvel de alto padrão em Salvador.
Segundo os documentos judiciais que embasaram o cumprimento dos mandados, os investigadores reuniram indícios de que Wagner teria atuado ativamente em pautas legislativas estratégicas para o setor bancário. As suspeitas concentram-se na manipulação de temas como a expansão do crédito consignado, alterações no limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e interferências na fiscalização de operações de aquisição envolvendo o Banco Master.
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A investigação detalha que, como contrapartida direta pelas articulações, o senador teria recebido um apartamento avaliado em R$ 2,4 milhões no empreendimento Poème Horto, na capital baiana. Relatórios da PF indicam que os dados da transação foram compartilhados diretamente entre Wagner e o banqueiro Augusto Ferreira Lima. Surpreendentemente, a apuração mostra que as tratativas entre os envolvidos persistiram mesmo após o início da operação policial, com uso recorrente de reuniões presenciais, videoconferências e o envio constante de minutas contratuais para validar a estratégia política.
Entre os episódios apontados pela Polícia Federal, destaca-se a articulação do parlamentar em torno da Medida Provisória 1.106/2022, que visava elevar a margem consignável para diversos grupos, incluindo beneficiários do BPC. Além disso, a PF monitorou contatos frequentes e envio de links de emendas legislativas, como a emenda n° 11 à PEC 65/2023, demonstrando, segundo a autoridade policial, um alinhamento constante entre a demanda do setor privado e a atuação parlamentar do senador petista. A defesa do senador Jaques Wagner ainda não se manifestou sobre os desdobramentos desta nova fase das investigações, que seguem sob sigilo judicial.






