A Comissão de Relações Exteriores (CRE) apresentou, nesta quinta-feira (4), um relatório que propõe uma estratégia nacional integrada para fortalecer a inserção internacional do Brasil. O documento reúne recomendações legislativas e administrativas voltadas à ampliação do comércio exterior, à modernização da política industrial e ao aumento da competitividade regulatória do país.
O texto foi elaborado pelo Grupo de Trabalho de Comércio Exterior, formado com apoio de consultores do Senado e técnicos dos Ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. O GT foi criado por iniciativa do presidente da CRE, senador Nelsinho Trad (PSD-MS), e iniciou suas atividades em julho.
Segundo Trad, é a primeira vez que o Senado articula, de forma estruturada, todos os elementos que compõem o “complexo ecossistema” das relações internacionais brasileiras. Ao longo do processo, foram realizadas 36 reuniões e recebidas diversas contribuições de órgãos públicos, academia e entidades do setor privado.
“Faltava um fio condutor único, uma visão integradora que articulasse política comercial, industrial, logística, sustentabilidade, regulação e diplomacia econômica”, afirmou o senador. O objetivo é consolidar um ambiente favorável à competitividade, produtividade e abertura comercial gradual, em diálogo com reformas microeconômicas e fortalecimento institucional.
📲 Fique por dentro das notícias de Arcoverde!
Agora o Arcoverde Agora também tem um canal oficial no WhatsApp, onde você recebe em primeira mão as principais informações da cidade e do Sertão do Moxotó.
👉 Clique aqui e entre no nosso canal
Três eixos centrais da estratégia
O relatório define três eixos principais:
Política comercial e industrial
Estratégia internacional e acordos comerciais
Logística e infraestrutura para competitividade
Para Nelsinho Trad, a inserção internacional deve deixar de ser tratada como política setorial e passar a integrar uma estratégia nacional de longo prazo. Ele destacou a necessidade de modernização logística, inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental e previsibilidade regulatória, reforçando tratar-se de uma agenda de Estado, não apenas de governo.
O grupo identifica problemas estruturais que limitam a competitividade do país: baixa produtividade, alta complexidade regulatória, custos logísticos elevados e concentração do transporte rodoviário. Por isso, o relatório propõe mecanismos para tornar o ambiente regulatório mais estável, transparente e previsível, com melhor governança e maior segurança jurídica.
Outro ponto enfatizado é o potencial do Brasil na economia verde, destacando a produção agrícola de referência mundial e as oportunidades em energias limpas. “Falta transformar esse potencial em estratégia”, diz o documento.
Maturidade institucional e novos acordos
O secretário de Assuntos Financeiros do Itamaraty, Philip Fox-Drummond, destacou que o relatório reforça a maturidade institucional do Estado brasileiro ao promover diálogo estruturado entre Executivo e Legislativo. Ele ressaltou que o trabalho contribuiu para avanços em acordos internacionais, como o firmado entre Mercosul e Singapura, e o andamento das negociações com a União Europeia.
Já a secretária-adjunta de Comércio Exterior do MDIC, Daniela Ferreira de Matos, lembrou que tensões geopolíticas e políticas unilaterais exigem maior preparo do Brasil. Ela apontou avanços como a ampliação do Portal Único de Comércio Exterior, a digitalização de processos e a integração de órgãos anuentes, ações que reduziram custos e prazos para exportadores.
Gargalos históricos e propostas
Consultores do Senado apontaram problemas crônicos que dificultam a inserção brasileira nas cadeias globais de valor. Entre eles, estagnação da produtividade desde a década de 1990, mercado fechado, baixa previsibilidade regulatória e dificuldades logísticas.
O consultor Diego Muniz Benedetti, responsável pelo eixo de transportes, destacou que 16 entidades colaboraram com diagnósticos e propostas. O relatório recomenda maior investimento público e privado no setor, melhoria dos modelos de concessão e atualização do licenciamento ambiental.
A nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025), originada do PL 2.159/2021, moderniza procedimentos e simplifica licenças de menor impacto. Lula vetou 63 dispositivos do texto aprovado pelo Congresso, mas 52 desses vetos foram derrubados, o que pode levar o tema ao Supremo Tribunal Federal.
Agência Senado






