O município de São José do Egito, localizado no Sertão de Pernambuco, conquistou um reconhecimento histórico ao ser oficializado pela Assembleia Legislativa do Estado (Alepe) como a Capital Pernambucana da Poesia. O título, fruto de uma proposição do deputado Gustavo Gouveia, oficializado em solenidade realizada no dia 23 de fevereiro, chancela a importância vital da cidade na preservação e difusão das rimas e versos que compõem o DNA cultural da região. A homenagem não apenas celebra a trajetória dos grandes mestres do improviso, mas reforça o compromisso do município em manter viva a tradição da poesia oral para as gerações futuras.
A "Terra da Poesia", como é carinhosamente conhecida, consolidou sua identidade a partir da força da cantoria de viola e da literatura de cordel. Em São José do Egito, a rima transcende o papel e habita o cotidiano, estando presente em monumentos, praças e na própria arquitetura local, como exemplifica o icônico Beco de Laura. Neste espaço histórico, os versos de poetas e poetisas da terra estão eternizados nas paredes, transformando a via em um santuário cultural que atrai estudiosos e turistas fascinados pela lírica sertaneja.
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O compromisso da cidade com a arte vai além da manutenção de espaços públicos, alcançando as salas de aula desde 2014, quando a poesia popular foi incluída na grade curricular municipal. Esta iniciativa pioneira, elogiada pelo historiador Danilo Leite, garante que crianças e jovens desde o ensino fundamental compreendam e pratiquem o legado artístico de seus antepassados. O alicerce dessa cultura reside em linhagens de cantadores, como a de Antônio Marinho do Nascimento, pioneiro que projetou o nome do município nacionalmente no início do século XX, e de Lourival Batista, o lendário Louro do Pajeú.
Atualmente, o Instituto Lourival Batista atua como guardião dessa memória, abrigando registros históricos, objetos pessoais e promovendo o diálogo constante entre a tradição e a modernidade. Com o respaldo institucional do governo estadual, São José do Egito reafirma seu papel de vanguarda na cultura nordestina, provando que, entre rimas e acordes de viola, a identidade de um povo permanece inabalável e próspera frente ao tempo. O reconhecimento como Capital da Poesia é, portanto, um justo tributo à dedicação de todo um povo que faz da palavra sua maior riqueza.






