A Rússia afirmou nesta segunda-feira (9) que a situação do abastecimento de combustível em Cuba é crítica e atribuiu o agravamento da crise às tentativas dos Estados Unidos de “asfixiar” a economia cubana. O governo russo também reafirmou solidariedade a Cuba e à Venezuela e declarou que se opõe a qualquer tipo de intervenção militar na região.
Na última sexta-feira, o governo cubano anunciou medidas para enfrentar o aprofundamento da crise energética, incluindo a proteção de serviços essenciais e o racionamento de combustível. A decisão ocorre em meio ao endurecimento da postura de Havana diante dos esforços dos EUA para interromper o fornecimento de petróleo à ilha.
A administração do presidente norte-americano Donald Trump voltou a classificar Cuba como uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos e afirmou que o país não receberá mais petróleo da Venezuela, após a operação norte-americana que resultou na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro, no mês passado. Washington também ameaçou impor tarifas a outros fornecedores, como o México, caso continuem enviando combustível para Cuba.
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“O quadro em Cuba é de fato crítico. Estamos plenamente cientes disso. Mantemos contatos intensivos com nossos amigos cubanos por canais diplomáticos e outros”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a jornalistas.
Apesar de Moscou tentar recompor suas relações com Washington, enquanto Trump busca intermediar um acordo para encerrar a guerra na Ucrânia, o Kremlin deixou claro o descontentamento com a política dos EUA em relação a Cuba. Segundo Peskov, “as táticas de asfixia empregadas pelos Estados Unidos estão causando muitas dificuldades ao país”, e a Rússia discute formas de prestar assistência à ilha.
Peskov também respondeu a questionamentos sobre a escassez de combustível de aviação, que pode afetar turistas russos. O governo cubano alertou companhias aéreas internacionais de que o combustível para aviões não estará mais disponível a partir desta terça-feira, levando a Air Canada a anunciar a suspensão de voos para Cuba.
Em mensagem pelo Dia do Trabalhador Diplomático, o chanceler russo Sergei Lavrov afirmou que a política externa de Moscou prioriza relações com países em desenvolvimento e o combate a práticas que classificou como neocoloniais, incluindo sanções unilaterais e intervenções militares. “Reafirmamos nossa solidariedade com os povos da Venezuela e de Cuba. Somente eles podem determinar seu próprio destino”, escreveu.
Na semana passada, o embaixador russo em Havana, Viktor Coronelli, declarou que a Rússia forneceu petróleo a Cuba diversas vezes nos últimos anos e que pretende manter o apoio energético à ilha.






