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Relatório internacional aponta riscos graves de pesticidas na cadeia produtiva do café

Por Redação Arcoverde Agora
Relatório internacional aponta riscos graves de pesticidas na cadeia produtiva do café

Um novo relatório divulgado pela organização internacional Coffee Watch trouxe à tona preocupações severas sobre a segurança na produção global de café. Sob o título "Poison in Your Coffee" (Veneno no seu café), o documento detalha como milhões de trabalhadores rurais ao redor do mundo, especialmente no Brasil — o maior produtor e exportador do grão —, estão sendo expostos a níveis alarmantes de pesticidas. Segundo a entidade, a tragédia humanitária e ambiental supera a preocupação imediata dos consumidores finais, focando na vulnerabilidade daqueles que operam na origem da cadeia de suprimentos sem o devido suporte ou proteção.

O estudo aponta que o café figura entre as culturas agrícolas com maior dependência de insumos químicos, com cerca de 60% dos produtos utilizados em sua produção sendo proibidos na União Europeia por riscos elevados à saúde e ao ecossistema. A exposição dos trabalhadores, muitas vezes sem equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados, tem resultado em casos crônicos de intoxicação, além de potenciais danos a longo prazo, como patologias neurodegenerativas e distúrbios reprodutivos. A diretora da Coffee Watch, Etelle Higonnet, destaca que, embora o resíduo químico chegue à xícara do consumidor, o envenenamento severo ocorre, prioritariamente, nas lavouras.

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No contexto brasileiro, a situação ganha contornos críticos. Pesquisas realizadas em polos produtores, como Minas Gerais, confirmam a aplicação frequente de substâncias banidas internacionalmente, algumas classificadas como carcinogênicas. Além dos danos à saúde humana, o relatório documenta a contaminação de cursos d'água próximos às áreas de cultivo e a supressão de vastas áreas de cobertura florestal, especialmente no Cerrado, para a expansão cafeeira. A contaminação hídrica levanta alertas sobre a segurança do abastecimento das comunidades rurais vizinhas às fazendas.

O estudo ainda questiona a eficácia de certificações de sustentabilidade atuais, argumentando que nem sempre esses selos garantem a ausência total de químicos nocivos ou condições laborais dignas. No entanto, os pesquisadores ressaltam que o cenário não é imutável. Sistemas agroflorestais e práticas agroecológicas emergem como alternativas eficazes, reduzindo drasticamente a dependência de venenos enquanto preservam a biodiversidade. A transição para modelos sustentáveis depende, agora, de uma mudança de postura por parte de toda a indústria global de café.

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