Enquanto o Brasil intensifica o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1, nações vizinhas da América do Sul já caminham para a consolidação de legislações focadas na diminuição das horas laborais. A Colômbia, por exemplo, atingirá o patamar de 42 horas semanais a partir de 15 de julho, concluindo um processo gradual iniciado em 2021. O país optou por um modelo que, embora reduza a carga horária, não impôs a obrigatoriedade de duas folgas semanais, garantindo maior flexibilidade operacional para as empresas.
A implementação colombiana, aprovada ainda durante a gestão do ex-presidente Iván Duque, foi complementada por reformas econômicas recentes sob o governo de Gustavo Petro, como o aumento expressivo do salário mínimo e a reestruturação dos adicionais noturnos. Especialistas do Observatório do Mercado de Trabalho da Universidade Externado indicam que, embora os custos operacionais tenham se elevado, não se observou um colapso no mercado de trabalho. Pelo contrário, o emprego assalariado no setor privado colombiano mantém uma trajetória de crescimento constante, demonstrando resiliência diante das mudanças estruturais.
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Contudo, o cenário não é isento de desafios. Entidades como a Federação Nacional de Comerciantes (Fenalco) apontam que setores como varejo, bares e hotéis precisaram acelerar a automação e ajustar horários de atendimento para mitigar o aumento dos custos. A análise da financeira Corficolombiana sugere que, embora a redução tenha impulsionado contratações compensatórias, a produtividade por trabalhador apresentou declínio, o que demanda uma readequação dos processos produtivos para manter a eficiência econômica a longo prazo.
O exemplo chileno oferece uma perspectiva adicional valiosa ao debate regional. Com uma transição planejada até 2028 para atingir as 40 horas semanais, o Chile já havia passado por um ajuste semelhante em 2005. Estudos acadêmicos sobre a experiência chilena sugerem que os efeitos negativos no emprego foram marginais, pois as empresas aproveitaram o período de transição para redesenhar fluxos de trabalho. Para especialistas, a principal lição para o contexto brasileiro é a necessidade de gradualismo. A imposição de mudanças abruptas sem mecanismos de compensação ou flexibilização contratual pode gerar insegurança jurídica e prejudicar a sustentabilidade dos negócios, enquanto a adaptação planejada permite que a economia absorva os novos custos sem comprometer postos de trabalho.






