As articulações políticas para as eleições de 2026 em Pernambuco também passam por dificuldades no campo bolsonarista. O senador Flávio Bolsonaro, apontado como pré-candidato à Presidência da República pelo Partido Liberal (PL), enfrenta entraves para consolidar uma base política no estado.
O cenário ocorre enquanto o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é disputado pelos dois nomes mais bem posicionados nas pesquisas para o governo de Pernambuco: a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife João Campos.
Parte da dificuldade do PL em Pernambuco está relacionada a um racha interno no diretório estadual, que resultou na desfiliação do ex-ministro do Turismo Gilson Machado em janeiro deste ano. Atualmente, o partido no estado é comandado pelo ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira, que conta com o apoio do deputado federal André Ferreira e do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto.
Anderson assumiu o comando do PL após a prisão de Gilson Machado em julho do ano passado. O ex-ministro foi acusado de tentar emitir um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid e de colaborar em um suposto plano de fuga para o militar, condenado por envolvimento na trama golpista.
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Sem espaço na legenda para disputar o Senado, Machado deixou o partido e se filiou ao Podemos, anunciando candidatura à Câmara dos Deputados e passando a criticar o antigo grupo político.
Nos bastidores, anotações atribuídas a Flávio Bolsonaro durante reuniões na sede do PL indicam que o partido tentou costurar uma aliança com a governadora Raquel Lyra. A possibilidade, porém, foi descartada pelo entorno da gestora, que avalia que o partido bolsonarista tem baixa capilaridade política no estado.
Os registros também apontam interesse do PL em apoiar ao Senado o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho e o deputado federal Mendonça Filho, ambos ligados ao União Brasil. No entanto, as articulações ainda não foram formalizadas. Enquanto Mendonça sinaliza candidatura à reeleição na Câmara, Miguel Coelho tem indicado a aliados que pretende manter neutralidade na disputa presidencial no primeiro turno.
Apesar das dificuldades, Anderson Ferreira afirma que o partido segue discutindo estratégias. Segundo ele, as anotações mostram a preocupação do PL em encontrar o melhor caminho eleitoral em Pernambuco, principalmente diante de um cenário considerado atípico, no qual os principais candidatos ao governo disputam o apoio de Lula.






