A aguardada cerimônia do Oscar, que poderia ter marcado um momento histórico para o cinema pernambucano, terminou com um sentimento de frustração e indignação para os fãs que lotaram o histórico Cinema São Luiz, no Recife. O longa-metragem "O Agente Secreto", dirigido por Kleber Mendonça Filho, encerrou a noite sem conquistar as estatuetas às quais concorria, o que provocou uma reação imediata do público presente, que não hesitou em entoar gritos de "marmelada" em sinal de protesto contra a decisão da Academia. O evento, que se transformou em uma verdadeira celebração cultural, contou com um tapete vermelho, bonecos gigantes e um clima que remetia às festividades carnavalescas.
A frustração era palpável entre os admiradores da obra, que viam no filme um expoente da potência cinematográfica do Nordeste. A assistente social Rosana França, que se deslocou de Olinda para acompanhar a premiação, expressou sua inconformidade com o resultado, afirmando que a mobilização popular em torno da obra tornava a expectativa por um prêmio algo muito forte. "Nós nos organizamos, acreditamos e, para nós, o filme era o melhor. Ficamos magoados com essa decisão", desabafou. A ausência de premiação nas categorias de melhor filme, melhor filme internacional, melhor elenco e melhor ator, com Wagner Moura, foi sentida como uma oportunidade perdida de reconhecimento global para a produção local.
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Por outro lado, muitos torcedores preferiram enaltecer o valor simbólico do feito de Kleber Mendonça Filho. A bibliotecária Roseane Souza de Mendonça destacou que o simples fato de um filme pernambucano estar entre os finalistas já representa uma vitória monumental para a cultura do estado. "Não preciso de prêmio, a gente já ganhou. O filme está no Oscar, é nordestino, tem o molho da nossa gente; para nós, isso já é motivo de sobra para festa", declarou. A energia no evento foi reforçada pela presença de integrantes do elenco, como Hermila Guedes, Kaiony Venâncio e Nivaldo Nascimento, que compartilharam a emoção de verem suas carreiras e a produção regional ganharem visibilidade internacional.
O evento no Cinema São Luiz também contou com a presença de autoridades políticas, incluindo a governadora Raquel Lyra e a vice-governadora Priscila Krause, que ressaltaram a importância do fomento à cultura local. O próprio cinema, que serviu de cenário para passagens do filme, tornou-se o epicentro de uma noite marcada por cortejos culturais, música de pífano e uma clara demonstração de identidade nordestina. Mesmo sem a estatueta dourada, a noite reforçou a posição do Recife como um polo criativo inegável, reafirmando que o cinema produzido em Pernambuco continuará a ocupar espaços de destaque, consolidando-se como um celeiro vital de talentos para o Brasil e o mundo.






