A partir desta semana, o diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) em Pernambuco inicia uma série de escutas regionais com lideranças e militantes da sigla em todo o estado. O objetivo é construir a estratégia do partido para as eleições de 2026, em um cenário marcado por divergências internas sobre o palanque estadual, mas com prioridades já definidas.
A direção petista pretende concentrar esforços na reeleição do presidente Lula e do senador Humberto Costa, além de trabalhar para ampliar as bancadas do partido na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).
Segundo o presidente estadual do PT, deputado federal Carlos Veras, as plenárias terão caráter programático e organizativo. “Faremos essas plenárias regionais com o objetivo de formular as propostas do partido para o pleito estadual. É o momento de organizar a participação da militância petista para cumprir os objetivos estratégicos, que são as reeleições do presidente Lula e do senador Humberto Costa”, afirmou ao Jamildo.com.
Mesmo com a divisão interna, uma liderança do partido reforçou que as escutas não têm como finalidade antecipar a definição do palanque estadual. “A intenção não é fazer uma rodada de conversa para definir qual seria o posicionamento. A principal direção nossa vai ser dada pela direção nacional do partido”, explicou. A ideia, segundo o dirigente, é ouvir os filiados sobre possíveis candidaturas proporcionais, tanto para a Câmara Federal quanto para a Alepe.
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O dilema do palanque duplo
Nos bastidores, entretanto, a busca por unidade esconde divergências estratégicas relevantes. Uma ala do PT defende o apoio direto e exclusivo à candidatura do prefeito do Recife, João Campos (PSB), ao Governo de Pernambuco, mantendo a histórica aliança da Frente Popular.
Outro grupo avalia que seria vantajoso para Lula contar com dois palanques no estado. Essa tese tem como um de seus principais defensores o deputado estadual João Paulo (PT). “Lula, inclusive para tirar a diferença dele no Sul e no Sudeste, precisa ter força aqui. Se houver em Pernambuco, especialmente se o prefeito for candidato a governador, é importante termos dois palanques apoiando o presidente Lula”, argumentou o ex-prefeito do Recife em declaração ao portal Leia Já.
Fator nacional: Alckmin e Kassab
A definição final sobre o palanque pernambucano deve vir de Brasília, diretamente do presidente Lula, que já sinalizou gestos tanto para João Campos quanto para a governadora Raquel Lyra (PSD). O cenário estadual, no entanto, está ligado às articulações nacionais para a composição da chapa presidencial.
Especulações apontam que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) pode deixar a chapa para disputar o Governo de São Paulo. Caso isso se confirme, Lula poderia buscar um nome mais ao centro para a vice, e o mais citado nos bastidores é Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, partido da governadora Raquel Lyra.
PSB rejeita divisão do apoio
Aliados do PSB rejeitam a tese do palanque duplo e defendem um apoio unificado a João Campos. Dentro do PT, lideranças ouvidas pelo Jamildo.com evitam cravar posições antes de uma orientação formal da direção nacional. “A certeza é que o PT continuará na Frente Popular de Pernambuco”, garantiu uma fonte do partido.
A mesma fonte admitiu que um eventual apoio de setores petistas à governadora Raquel Lyra pode ser tratado como infidelidade partidária, caso a sigla feche questão em torno do PSB. Ao longo de 2025, João Campos tem feito gestos públicos de aproximação com o PT. Em uma das últimas visitas de Lula a Pernambuco, o prefeito declarou ser um “soldado” do presidente e afirmou que iria “onde ele estivesse”.
Mesmo sem ser o objetivo formal das escutas, dirigentes reconhecem que o debate sobre o Governo do Estado deve emergir nas plenárias. “O prefeito [João Campos] tem se posicionado desde o início em favor da reeleição do presidente Lula, ao contrário de Raquel, que eu nunca ouvi falar uma fala objetiva nesse sentido. João Campos tem se colocado como soldado de Lula. Acho que a escuta sempre é importante. Os filiados podem e devem falar”, afirmou um petista ouvido pela reportagem.






