O Projeto Noronha Verde, iniciativa ambiciosa que visa transformar a matriz energética de Fernando de Noronha através da geração solar, tornou-se alvo de uma disputa entre a Neoenergia e a Associação dos Agricultores locais. A entidade alega que a concessionária de energia não cumpriu as contrapartidas estabelecidas em contrato, essenciais para mitigar os impactos da ocupação de áreas antes destinadas ao cultivo de alimentos.
Lourdes Sampaio, presidente da Associação, aponta que seis hectares de terra produtiva foram cedidos para a instalação dos painéis fotovoltaicos sob a promessa de melhorias estruturais, como a eletrificação do Projeto Noronha Terra, reforma da sede da associação, construção de alojamentos e o desassoreamento de um açude. Segundo ela, a empresa justifica o atraso com dificuldades logísticas de transporte, argumento que os agricultores consideram inconsistente diante do avanço das obras da usina.
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A primeira etapa do Noronha Verde, com 4,8 mil painéis solares, já está em operação, mas o cronograma das contrapartidas gera desconfiança. Enquanto a empresa afirma que as ações seguem o cronograma estipulado e que reuniões quinzenais estão sendo realizadas para monitorar os avanços, os agricultores sentem-se lesados, especialmente após a informação de que obras críticas, como o desassoreamento do açude, foram postergadas para 2027.
Órgãos reguladores, incluindo a Administração de Fernando de Noronha e o ICMBio, estão acompanhando o impasse. A Neoenergia reitera seu compromisso com a descarbonização da ilha e alega que certas intervenções, como a limpeza do açude, ainda dependem de licenciamento ambiental para serem iniciadas. O projeto, com investimento total de R$ 350 milhões, tem conclusão prevista para o final de 2026, e a expectativa é que o diálogo entre as partes seja intensificado para garantir que o progresso energético não ocorra em detrimento da agricultura local.






