Após o encerramento do ciclo da soja, os produtores rurais do noroeste paulista enfrentam o desafio estratégico de definir o cultivo sucessor para manter a produtividade da terra. Recentemente, a aposta tem se concentrado no sorgo, uma cultura que se destaca não apenas pela viabilidade econômica, mas principalmente pela sua notável resiliência diante das instabilidades climáticas que têm afetado o setor agropecuário na região. A transição rápida entre a soja e a nova cultura é fundamental para otimizar o uso do solo e garantir uma renda extra na chamada safrinha.
Em propriedades situadas em municípios como Brejo Alegre, o cultivo de sorgo já demonstra resultados positivos após cerca de um mês de plantio. Produtores locais, como Odair Albano, enxergam na planta uma alternativa robusta para mitigar os riscos das dificuldades hídricas, mantendo a terra produtiva durante o período que antecede o inverno. Com áreas expressivas destinadas à produção de grãos graníferos — essenciais para a composição de rações voltadas à suinocultura, avicultura e pecuária bovina — o manejo eficiente do sorgo torna-se um pilar de sustentabilidade para o agronegócio regional.
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A engenheira agrônoma Isabela Redigolo ressalta que o avanço do sorgo está intrinsecamente ligado aos novos desafios do campo, que incluem o aumento nos custos de produção e a escassez de água. Diferente do milho, o sorgo apresenta um comportamento mais adaptativo em condições de temperaturas elevadas e irregularidade de chuvas, o que atrai investimentos significativos. No entanto, especialistas ponderam que a cultura não é imune aos fenômenos meteorológicos extremos, exigindo técnicas de manejo rigorosas para que o potencial produtivo seja plenamente alcançado ao final do ciclo.
Em Mirandópolis, a realidade é distinta, com áreas extensas que já alcançam a fase de colheita. Embora a experiência tenha enfrentado percalços causados pelo excesso de chuvas no início do plantio, a expectativa geral permanece positiva. Um gargalo logístico, contudo, ainda preocupa o setor: a carência de infraestrutura adequada para armazenamento. A escassez de armazéns limita a capacidade de negociação do produtor, forçando a venda imediata e, muitas vezes, impactando as margens de lucro esperadas após meses de dedicação intensiva ao cultivo dessa gramínea estratégica para a economia rural brasileira.






