O processo de privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) atingiu sua etapa final nesta terça-feira (16), com a realização de uma cerimônia oficial na sede da B3, a bolsa de valores brasileira, situada em São Paulo. O evento marcou a formalização da transferência das ações aos novos acionistas e o depósito dos valores correspondentes ao estado de Minas Gerais, concretizando um dos projetos mais emblemáticos da gestão estadual recente.
Ao todo, a operação envolveu a negociação de 171.113.881 papéis da estatal, sendo cada unidade precificada em R$ 49,03. Com essa movimentação estratégica, os cofres públicos estaduais receberão um aporte de R$ 8,38 bilhões, montante que deve ser direcionado prioritariamente para a amortização da dívida de Minas Gerais com a União, em consonância com as exigências do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
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O grupo Equatorial, que atuou como investidor de referência, consolidou-se como o novo acionista majoritário da Copasa, detendo agora 30% do capital total da empresa após adquirir 114.075.921 ações, um investimento de R$ 5,59 bilhões. Com essa mudança na estrutura societária, a participação do governo mineiro foi reduzida drasticamente de 50,03% para 5,03%. Apesar da redução, o estado manteve uma 'golden share', que assegura ao poder Executivo o direito de veto em decisões estratégicas fundamentais, como a definição da sede da companhia e alterações em sua denominação social.
A trajetória até a conclusão da venda foi marcada por intensos debates políticos. A desestatização, aprovada pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais em dezembro de 2025 e sancionada pelo governador Romeu Zema, é defendida pelo governo como um passo essencial para a modernização dos serviços e a atração de capital privado para investimentos em saneamento. Por outro lado, parlamentares de oposição expressaram preocupações significativas, argumentando que a mudança na gestão da Copasa — que presta serviços a 636 municípios mineiros — poderia resultar em aumentos nas tarifas de água e esgoto, além de possíveis riscos de precarização laboral para os funcionários da estatal.
Além da Equatorial, o fundo Perfin também ampliou seu posicionamento acionário, elevando sua participação de 15,25% para 20,11%. Investidores institucionais e o varejo também participaram da oferta, demonstrando o interesse do mercado financeiro na companhia. O governo estadual sinalizou que parte dos recursos arrecadados poderá ser alocada em um fundo estadual de saneamento básico, visando a expansão da infraestrutura hídrica em todo o estado mineiro.






