O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento crucial nesta quarta-feira (8) perante a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Durante a sessão, o dirigente esclareceu a natureza de suas interações com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, negando terminantemente que as conversas tenham tangenciado a situação do Banco Master, instituição que sofreu intervenção e liquidação extrajudicial pelo órgão regulador em novembro de 2025. Segundo Galípolo, todos os diálogos institucionais mantidos com membros da Suprema Corte focaram exclusivamente nas complexas implicações diplomáticas e financeiras decorrentes da aplicação da Lei Magnitsky contra o magistrado e seus familiares por parte do governo dos Estados Unidos.
Galípolo enfatizou que, dada a sua responsabilidade constitucional de zelar pelo sigilo bancário e financeiro, o teor dessas reuniões foi estritamente pautado pelas sanções norte-americanas, que isolaram o ministro e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, do sistema financeiro internacional durante o segundo semestre de 2025. O presidente do BC reforçou que tais contatos com o STF foram estritamente técnicos e institucionais, buscando compreender as limitações e desdobramentos sobre os ativos financeiros dos sancionados, sem qualquer interferência ou favorecimento no caso específico da liquidação do Banco Master, que o Ministério da Fazenda classificou como uma das maiores fraudes bancárias da história recente do país.
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Além do esclarecimento sobre os contatos com o judiciário, Galípolo revelou detalhes sobre uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto, na presença do presidente da República e de outros ministros de Estado, onde o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria buscado apoio político alegando sofrer perseguição do mercado financeiro. O presidente do BC afirmou que, na ocasião, o governo orientou que a situação da instituição fosse tratada exclusivamente de forma técnica, respeitando a autonomia da autoridade monetária na condução do processo de liquidação e bloqueio de bens dos administradores envolvidos no esquema de crédito sem lastro com o Banco de Brasília (BRB).
O depoimento também revisitou o contexto político de 2025, marcado pela inclusão de Moraes na lista de sanções norte-americanas sob alegações de abusos judiciais, medida que foi posteriormente revertida em dezembro do mesmo ano. Ao finalizar sua fala à CPI, Galípolo reafirmou sua postura de transparência perante o colegiado, reiterando que jamais manteve conversas informais, como telefonemas, com o ministro Moraes, e que seu relacionamento com os demais integrantes do tribunal sempre respeitou os limites institucionais impostos pelo cargo de chefia na autoridade monetária nacional. A investigação segue em curso para apurar todas as responsabilidades sobre a fraude financeira que movimentou bilhões de reais.






