O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reafirmou nesta terça-feira (19) que a liquidação do Banco Master, decretada pela autoridade monetária em novembro do ano passado devido a fortes indícios de irregularidades, não representou um risco ao sistema financeiro nacional. A declaração foi feita durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal, onde Galípolo detalhou os critérios de vigilância da instituição.
Segundo o chefe do BC, o Banco Master possuía um porte considerado reduzido dentro do ecossistema bancário brasileiro, sendo classificado como uma instituição do segmento S3. Em suas palavras, ele comparou o banco à "terceira divisão do futebol do sistema financeiro", representando menos de 0,5% do patrimônio total do sistema. Por essa razão, a falência não configurou o que o mercado denomina de "risco sistêmico". O foco da investigação, conforme pontuou, recai sobre a destinação e a gestão dos ativos financeiros pela administração do banco, que está sob investigação por suspeitas de práticas ilícitas e venda de títulos falsos.
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Durante a sabatina, o tema do financiamento de produções audiovisuais por Daniel Vorcaro, dono do Master, também permeou os bastidores políticos, embora Galípolo tenha mantido um tom técnico, focando na necessidade de fortalecimento da regulação. O presidente do Banco Central aproveitou a oportunidade para defender a autonomia orçamentária do órgão. Ele argumentou que, para competir com a sofisticação tecnológica e os recursos do sistema financeiro privado, o Banco Central precisa de maior independência financeira, pleiteando a aprovação de projetos de lei que tramitam no Congresso há anos.
A discussão também abrangeu a criação de um novo regime de resolução bancária, que visa modernizar as formas de intervenção e liquidação em instituições que enfrentam dificuldades. Para Galípolo, a atualização dessas normas é crucial para que o BC tenha agilidade em situações de crise, evitando que práticas inadequadas de gestão prejudiquem o patrimônio de terceiros. A autoridade monetária continua acompanhando de perto as evidências de fraudes e colaborando com as instâncias judiciais para que as responsabilidades civis e criminais sejam devidamente apuradas, sem que isso comprometa a estabilidade macroeconômica do país.






