A Prefeitura do Recife concluiu nesta quinta-feira (6) a venda dos precatórios do Fundef referentes aos professores da rede municipal por R$ 443,4 milhões. O leilão público, vencido pelo Itaú Unibanco S.A., teve como objetivo antecipar receitas que só seriam recebidas entre 2026 e 2028, conforme informações do blog de Manoel Medeiros.
O valor original dos créditos era de R$ 567,1 milhões, o que significa que a gestão do prefeito João Campos (PSB) abriu mão de R$ 124 milhões, um deságio de 21,8% — ligeiramente abaixo do limite máximo de 23,2% previsto no edital. O BTG Pactual S.A. também participou da disputa, oferecendo R$ 438,4 milhões, mas ficou em segundo lugar.
Motivo da operação
Segundo a Procuradoria-Geral do Município (PGM), a venda dos precatórios tem como finalidade reforçar o caixa da prefeitura diante de dificuldades de fluxo financeiro no fim do ano. A procuradora-adjunta Tatiana Mariz afirmou, em parecer técnico, que a medida busca “incrementar a liquidez municipal para cobrir custos de transição previdenciária e financiar investimentos estratégicos”.
O acordo original com a Advocacia-Geral da União (AGU) previa o pagamento em três parcelas anuais — 2026, 2027 e 2028. Com a antecipação, o Recife garante recursos imediatos, mas perde parte significativa do valor total.
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Impacto sobre os professores
Do total negociado, R$ 63,5 milhões correspondem ao valor principal do precatório, destinado por lei aos professores da rede municipal e à educação básica. Com o deságio, o montante perdeu cerca de R$ 13,84 milhões, o que gerou críticas do Simpere (Sindicato Municipal dos Profissionais de Ensino do Recife).
Em nota, o sindicato afirmou que a decisão reduz o que seria direito dos educadores que atuaram entre 1998 e 2006, período coberto pelas ações do Fundef. “Esse dinheiro é fruto da luta de anos dos educadores e deve ser usado integralmente para valorizar o magistério”, declarou a entidade.
Especialistas alertam
Analistas de finanças públicas apontam que a operação representa uma troca entre liquidez imediata e perda futura de receita. Embora o recurso entre de forma mais rápida no caixa, a renúncia financeira pode comprometer investimentos futuros e repasses obrigatórios à educação.
Ainda não há informações detalhadas sobre como os valores arrecadados serão aplicados, mas a prefeitura informou que os recursos devem ser direcionados a despesas obrigatórias e investimentos prioritários.
Resumo da operação
Valor total dos precatórios: R$ 567,1 milhões
Valor pago pelo Itaú Unibanco: R$ 443,4 milhões
Deságio: 21,8%
Perda para o município: R$ 124 milhões
Valor destinado aos professores: R$ 63,5 milhões (perda de R$ 13,84 milhões)






