A Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia da Prefeitura de São Paulo formalizou uma notificação ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização não governamental presidida pela empresária Karina Ferreira da Gama — produtora do filme "Dark Horse", obra que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento exige que a entidade apresente, no prazo de até 30 dias, justificativas técnicas e documentos complementares sobre uma série de notas fiscais consideradas suspeitas ou irregulares, que, somadas, totalizam cerca de R$ 13 milhões em um contrato de prestação de serviços voltado à instalação de pontos de internet gratuita (wi-fi) nas periferias da capital.
O montante questionado pela gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) inclui uma exigência imediata de explicação sobre R$ 906 mil em notas fiscais que foram canceladas no sistema, mas utilizadas pela ONG como comprovantes de despesas na prestação de contas do primeiro semestre de 2025. A prefeitura também demanda clareza sobre outros R$ 12 milhões em gastos que, segundo os auditores, carecem de especificações técnicas adequadas sobre o serviço efetivamente prestado. A situação levanta preocupações sobre a transparência do contrato total, avaliado em R$ 108 milhões, e já é objeto de investigação paralela conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo.
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Entre as empresas fornecedoras que emitiram as notas sob suspeita, destaca-se a Favela Conectada Serviço de Tecnologia Ltda. Relatórios apontam que um dos sócios da empresa, Alex Bispo dos Santos, encontra-se detido sob acusação de feminicídio e é apontado pelas autoridades como integrante da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A conexão entre a estrutura financeira do contrato e empresas com históricos nebulosos agrava a complexidade do caso. A Secretaria de Inovação reforçou que, embora a glosa temporária dos valores seja necessária, o processo ainda permite que o Instituto apresente defesas antes de uma rejeição definitiva das contas.
Em nota oficial, a empresária Karina Ferreira da Gama classificou as notificações como parte do "fluxo ordinário" de fiscalização de parcerias com o Poder Público. Segundo a defesa do ICB, a entidade está em processo de coleta de esclarecimentos junto aos seus fornecedores e mantém a convicção de que toda a documentação apresentada provará a regularidade das atividades executadas. A prefeitura, por sua vez, afirma que o rigor na fiscalização demonstra o compromisso com o uso adequado do dinheiro público e que as medidas seguirão estritamente o marco regulatório das organizações da sociedade civil (Lei Federal nº 13.019/2014).






