Mesmo com a tradicional alta de preços observada durante o período da Quaresma, o mercado de ovos em 2026 apresentou um cenário distinto dos últimos anos. Em Bastos (SP), principal polo produtor do estado, os valores praticados pelos produtores registraram o menor patamar dos últimos três anos. O levantamento, realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, revela que, embora tenha ocorrido uma valorização de até 21% em março — movimento esperado pela substituição da proteína animal —, a média final não sustentou os patamares históricos anteriores.
Os dados do Cepea consideram o valor da caixa de 30 dúzias vendida ao comerciante para pagamento à vista. Durante a Quaresma de 2026, o maior valor atingido pelos ovos brancos foi de R$ 174,03, enquanto os vermelhos alcançaram R$ 201,78. Para efeito de comparação, no mesmo período de 2025, os preços chegaram a R$ 210,74 para a variedade branca e R$ 239,73 para a vermelha, demonstrando uma retração significativa no custo para o consumidor final e para a cadeia de suprimentos.
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A explicação para esse fenômeno reside em uma combinação de fatores macroeconômicos e comportamentais. O mercado iniciou o ano de 2026 já com preços fragilizados, reflexo de um segundo semestre de 2025 marcado por quedas sucessivas. Essa tendência se consolidou em janeiro, que apresentou a menor média dos últimos seis anos. Somado a isso, a segunda quinzena de março foi marcada por uma perda clara de força na procura, período em que, tradicionalmente, o consumo começa a arrefecer. A baixa liquidez forçou os produtores a negociar valores mais baixos, pressionando as cotações para baixo em quase todas as regiões produtoras acompanhadas pelos pesquisadores.
Outro ponto de destaque observado pelo Cepea é a crescente diferença de preço entre os ovos brancos e os vermelhos. Em estados como o Espírito Santo, essa disparidade superou os 40% em relação ao início do ano. Especialistas apontam que essa diferença reflete uma oferta interna reduzida de ovos vermelhos, cuja produção demanda condições específicas de manejo e tem um ciclo diferente no mercado nacional. Com a oferta controlada e o volume de negócios abaixo do esperado, o setor de avicultura segue monitorando os próximos meses, buscando estabilidade após um início de ano atípico para o setor de proteínas.






