O cenário do mercado de café no Brasil apresentou mudanças significativas em abril de 2026, oferecendo um alívio para o bolso dos consumidores que buscam o café do dia a dia. Segundo dados levantados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), houve uma redução generalizada nos preços das variedades tradicionais, extrafortes e até mesmo em segmentos como o gourmet. Esse movimento de queda é reflexo da expectativa de uma colheita robusta e favorável, que se contrapõe aos anos de dificuldades climáticas vividos entre 2021 e 2024, quando o setor sofreu com secas severas e geadas que impactaram duramente a produtividade das lavouras nacionais.
Para o consumidor, o impacto positivo é claro: o café tradicional, que compõe a base do consumo nacional, registrou uma queda média de 15,5%, com o quilo custando em torno de R$ 55,34. Outras categorias, como o café superior e o gourmet, também acompanharam essa tendência descendente, com recuos de 12,6% e 3,7%, respectivamente. Até mesmo as opções de conveniência, como o café em cápsulas e o drip coffee, apresentaram barateamento no varejo, sinalizando que a oferta estabilizada da matéria-prima começou, enfim, a chegar ao consumidor final após um período prolongado de inflação nos preços das gôndolas.
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Contudo, nem todos os segmentos seguiram o mesmo caminho. O café descafeinado e o especial registraram altas expressivas, superiores a 15%. De acordo com Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Abic, o encarecimento do descafeinado está atrelado à complexidade logística e industrial. Como grande parte do processo ainda é realizada no exterior, especialmente na Suíça, os custos de transporte e processamento encarecem o produto final. O Brasil, embora avance, ainda possui poucas indústrias capazes de realizar essa etapa de forma competitiva em grande escala.
No caso dos cafés especiais, a alta reflete o modelo de produção artesanal e de alta qualidade, que exige investimentos superiores no campo e não permite as economias de escala observadas nos grãos commodities. Com um consumo restrito a cerca de 1% do mercado nacional e uma distribuição ainda limitada, o preço destes cafés permanece em um patamar elevado. A perspectiva para o restante de 2026, caso o clima se mantenha ameno e a colheita dentro das expectativas, é de que os preços das categorias de maior consumo continuem a apresentar uma trajetória de estabilidade ou queda gradual, embora especialistas alertem que dificilmente retornaremos aos valores praticados antes de 2020 devido aos estoques mundiais reduzidos.






