O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, trouxe à tona nesta sexta-feira (17) a possibilidade de o governo federal rever a cobrança de impostos sobre compras internacionais de até US$ 50, medida popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". Em entrevista ao programa Estúdio i, da GloboNews, Boulos sinalizou que a revogação do tributo, que impactou milhões de consumidores brasileiros, é uma alternativa que pode ser colocada à mesa de discussões pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Boulos enfatizou que a inclusão dessa taxação na legislação não partiu de uma iniciativa direta do Palácio do Planalto, mas sim de articulações no Poder Legislativo, impulsionadas pelo lobby de setores do varejo nacional. "A taxa das blusinhas não foi uma iniciativa do governo. Quem colocou a taxa foi o Parlamento, a partir de uma pressão e de um lobby de empresas varejistas", explicou o ministro, destacando que a sanção presidencial ocorreu dentro do rito legislativo após a aprovação da matéria pelos congressistas.
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A discussão sobre o fim da cobrança ganha força em um momento de sensibilidade política, especialmente com a proximidade das eleições. Enquanto ministros da ala política do governo, como o secretário de Relações Institucionais, José Guimarães, sugerem que a revogação seria uma medida positiva, pastas econômicas, como a Fazenda e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), mantêm resistência. O argumento central para a manutenção da alíquota gira em torno da proteção da indústria nacional e do aumento da arrecadação federal, que registrou um montante de R$ 1,28 bilhão entre janeiro e março de 2024.
O governo agora se vê diante do desafio de equilibrar os interesses arrecadatórios com o desgaste causado junto à população. De acordo com Boulos, qualquer decisão será tomada após uma análise detalhada dos dados. "É preciso fazer um balanço. Quantos empregos foram gerados ou preservados? Qual o custo para as milhões de pessoas que compram via plataformas digitais? Com esses números em mãos, podemos tomar uma decisão mais efetiva", concluiu o ministro, deixando a palavra final a cargo do presidente Lula.






