Em meio ao endurecimento das leis de imigração em Portugal, uma iniciativa tem se destacado pela integração de estrangeiros ao mercado de trabalho. O Programa Integrar, parceria entre o Departamento Nacional de Turismo, a confederação de hotéis, bares e restaurantes e a AIMA (Agência de Imigração e Asilo), pretende formar mil imigrantes até o fim do ano para atuar em áreas com escassez de mão de obra.
O projeto seleciona estrangeiros em situação regular — ou em processo de regularização — para cursos de três meses em uma das 12 escolas de hotelaria do país, seguidos por um mês de estágio em empresas parceiras. Entre os participantes está Laura, 34 anos, angolana, que decidiu se requalificar após enfrentar dificuldades para trabalhar na área de psicologia do esporte.
Ela destaca que buscou o curso como alternativa para permanecer no país: “Sem isso seria difícil, porque a vida é complicada. Estou descobrindo a culinária e estou fascinada”. Laura também alerta quem deseja migrar: “Não venha com visto de turista se pretende ficar. Venha com visto de trabalho ou estudante para evitar problemas na regularização.”
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Os instrutores afirmam que os alunos chegam altamente motivados, muitos deles adultos com experiência de vida e grande disposição para aprender. A rede hoteleira Vila Galé é uma das 329 empresas parceiras do programa. Ali, o indonésio Raas encontrou sua primeira oportunidade estável depois de meses em trabalhos temporários e dificuldades com o idioma. Hoje, recebe 1.200 euros brutos, valor superior ao salário mínimo português, e integra o quadro de funcionários permanentes.
Segundo o gerente do hotel, contratos efetivos dão segurança financeira aos imigrantes, permitindo desde alugar imóveis até solicitar crédito. A rotatividade, porém, segue alta no setor devido aos horários e exigências da área.
A coordenadora do Programa Integrar, Catarina Paiva, afirma que a iniciativa tem sido um sucesso e evita entrar no debate político sobre imigração: “Nosso papel é garantir que quem conquista status legal tenha a oportunidade de construir uma carreira”. Ela reforça que o objetivo é que o modelo seja replicado em outros setores com carência de mão de obra.
A parceria entre governo, empresários e a agência de imigração será renovada em 2026, com investimento previsto de 5 milhões de euros para ampliar a formação profissional no país.






