O grupo automotivo Stellantis oficializou, nesta segunda-feira (6), um movimento estratégico de grande relevância para a indústria automobilística nacional: o polo industrial de Goiana, em Pernambuco, passará a produzir dois modelos da marca chinesa Leapmotor. A iniciativa contempla os utilitários eletrificados B10 e C10, reforçando a aposta da companhia em tecnologias sustentáveis voltadas para o mercado brasileiro e para o restante da América do Sul. A escolha da planta pernambucana, que já é referência mundial em eficiência e produtividade, destaca a importância do Nordeste no cenário de mobilidade elétrica global.
Os veículos utilizarão o sistema REEV (Range Extended Electric Vehicle), no qual um motor a combustão atua exclusivamente como gerador de energia para as baterias que impulsionam o motor elétrico. Um diferencial competitivo notável dessa operação é o desenvolvimento, inédito no mundo, de uma versão flex fuel para esse sistema. A adaptação permitirá que o motor a combustão utilize etanol em qualquer proporção com a gasolina, otimizando a pegada de carbono e aproveitando a expertise brasileira em biocombustíveis, consolidando uma solução energética sustentável e alinhada às demandas climáticas atuais.
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Embora especulações de mercado apontem que o início da produção local esteja previsto para o ano de 2027, a Stellantis mantém cautela sobre cronogramas exatos, ainda sem divulgar detalhes sobre o índice de nacionalização das peças e componentes. O presidente da Stellantis para a América do Sul, Herlander Zola, enfatizou que a fabricação em Goiana é uma peça angular para consolidar a presença da Leapmotor na região, aproveitando a robusta cadeia de suprimentos e a mão de obra qualificada já instalada no estado pernambucano.
Atualmente, o polo de Goiana é o principal centro de produção dos veículos Jeep e RAM no Brasil. A integração da Leapmotor ao portfólio industrial local não apenas diversifica a oferta de veículos eletrificados, mas também posiciona Pernambuco como um dos maiores polos tecnológicos automotivos do Hemisfério Sul. A medida é interpretada por analistas como um passo fundamental para tornar a transição energética mais acessível ao consumidor brasileiro, equilibrando alta performance tecnológica, sustentabilidade ambiental e a viabilidade do etanol como combustível limpo e renovável.






