O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (10) um novo modelo de crédito imobiliário que, segundo ele, passa a assistir também a classe média do país. A medida reestrutura o uso da poupança para ampliar a oferta de financiamento, especialmente para essa faixa da população com renda superior a R$ 12 mil.
Durante sua participação no evento Incorpora 2025, em São Paulo, Lula afirmou que sempre teve uma "inquietação" em atender à necessidade de moradias da classe média, citando trabalhadores como metalúrgicos e professores.
“Essas pessoas não têm direito a comprar casa, porque elas nem são pobres, não estão na faixa 1, nem na faixa 2 [do Minha Casa, Minha Vida],” disse. “Esse programa foi feito pensando nessa gente, pensando em dar àqueles que ainda não têm direito, o direito de ter a sua casinha um pouco melhor.”
Para o presidente, a nova proposta visa respeitar a dignidade da classe média de escolher onde morar e ter casas maiores: "Ele não quer uma casa de 40 metros quadrados, ele quer uma casa de 80 metros quadrados."
Fim do Compulsório e Teto Maior
O novo modelo de crédito imobiliário traz mudanças significativas no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE):
1. Aumento do Teto de Financiamento: O valor máximo do imóvel financiado no Sistema Financeiro da Habitação (SFH) passará de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões.
2. Fim dos Depósitos Compulsórios: Após um período de transição, o total dos recursos depositados na caderneta de poupança será a referência para uso no setor habitacional, com o fim dos depósitos compulsórios no Banco Central (BC).
A previsão é que, com essa mudança, a Caixa Econômica Federal financie mais 80 mil novas moradias até 2026.
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Transição até 2027
A reforma será implementada de forma gradual. O novo modelo terá plena vigência a partir de janeiro de 2027.
O governo argumenta que o novo modelo aumenta a competição entre bancos, ao permitir que instituições que não captam poupança também concedam crédito habitacional em condições equivalentes. Para isso, 80% dos financiamentos habitacionais deverão ser feitos pelas regras do SFH, que mantêm juros limitados a 12% ao ano.






