A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quarta-feira (1º), uma operação estratégica para investigar indícios de fraude documental envolvendo aliados do deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ). O foco central da apuração é a veracidade de uma escritura pública de compra e venda de um imóvel, que teria sido utilizada pelo parlamentar para justificar a origem de R$ 470 mil em espécie, apreendidos durante uma operação anterior em dezembro do ano passado. O montante foi localizado por agentes dentro de sacolas em um flat utilizado pelo deputado em Brasília.
Na época da apreensão, o parlamentar alegou publicamente que os recursos eram oriundos da venda de um imóvel situado em Minas Gerais, justificando a ausência de depósito bancário como um simples lapso devido à sua rotina de trabalho. Contudo, relatórios da investigação incluídos em decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) revelam uma inconsistência temporal grave: a escritura pública foi lavrada apenas em 30 de dezembro de 2025, onze dias após o cumprimento dos mandados de busca e apreensão. Para os investigadores, o documento foi produzido de forma retroativa para conferir uma aparência de legalidade a um montante que não possuía lastro comprovado.
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Além da divergência nas datas, a PF aponta que não foram encontrados registros de movimentação financeira compatíveis com o pagamento declarado. Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) indicam que o suposto comprador não realizou saques de valores condizentes com a transação na data apontada. Paralelamente, a investigação apura se cerca de R$ 15 milhões sacados por empresas ligadas ao grupo teriam origem em peculato, crime que envolve o desvio de verbas parlamentares.
O esquema sob análise sugere a utilização de empresas de fachada, incluindo locadoras de veículos, para simular despesas e justificar o uso de dinheiro público. A Polícia Federal segue rastreando o fluxo de caixa para confirmar se as cédulas apreendidas no flat têm ligação direta com esses desvios. O deputado Sóstenes Cavalcante, que na época da operação inicial negou qualquer irregularidade e se declarou vítima de perseguição, mantém sua postura de defesa, enquanto as autoridades judiciárias aprofundam a análise da cronologia da escritura e da ausência de lastro financeiro legítimo para os valores encontrados em espécie.






