A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira (23), uma operação de grande escala visando desmantelar um esquema de má gestão e possíveis irregularidades na aplicação de R$ 13 milhões pertencentes ao Instituto de Previdência Municipal de Santo Antônio de Posse (IPREM), no interior de São Paulo. A investigação apura como vultosos recursos destinados ao futuro dos servidores públicos foram alocados em investimentos de risco junto ao Banco Master, levantando suspeitas de negligência ou má conduta por parte dos gestores responsáveis pelo fundo.
Ao longo da ação, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Santo Antônio de Posse e Mogi Mirim. Entre os investigados, encontram-se o ex-diretor do instituto, a supervisora de gestão e três integrantes do comitê de investimentos. Além das medidas de busca, a Justiça Federal determinou o afastamento imediato dos envolvidos de suas funções públicas e o bloqueio de bens, visando resguardar o erário diante dos prejuízos potenciais. A operação foi desencadeada após alertas emitidos pela Subsecretaria de Regimes Próprios de Previdência Social, que detectou inconsistências graves na movimentação financeira do fundo municipal.
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O Ministério Público de Contas de São Paulo (MPC-SP) já havia emitido advertências formais em abril do ano passado, destacando que diversos institutos de previdência no estado possuíam uma exposição elevada ao Banco Master. No momento em que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira, o IPREM mantinha cerca de R$ 8,2 milhões em Letras Financeiras, valor que gerou pânico entre os segurados. O ex-gestor do instituto, Hortêncio Neto, defendeu a aplicação, alegando que o investimento foi realizado em busca de metas de rentabilidade e que, à época da decisão, o banco apresentava retorno atrativo sem restrições legais.
Em contrapartida, a atual diretoria do IPREM afirma que o montante investido representa cerca de 5% dos R$ 130 milhões do patrimônio total e nega impacto imediato para os 380 aposentados e pensionistas do município. Contudo, a governança do instituto está sob severo escrutínio, uma vez que a segurança dos recursos previdenciários deve ser a prioridade absoluta. O órgão garante que está colaborando com as autoridades competentes e que seguirá monitorando a massa liquidante sob supervisão do Banco Central, reforçando o compromisso de manter o controle rígido sobre os ativos restantes para proteger o direito dos servidores.






